O governo de Donald Trump está retirando a exigência de que portadores de ingressos da Copa do Mundo provenientes de alguns países paguem cauções de até US$ 15 mil (R$ 75 mil) ao solicitar visto para entrar nos Estados Unidos, informou a Associated Press.
Segundo um programa do U.S. Department of State anunciado no ano passado, estrangeiros de 50 países — cinco deles classificados para a Copa do Mundo — precisavam pagar cauções de US$ 5 mil (R$ 25 mil), US$ 10 mil (R$ 50 mil) ou US$ 15 mil (R$ 75 mil) ao solicitar o visto.
Os cinco países incluídos no programa e já classificados para a Copa são Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, Senegal e Tunísia.
O programa do Departamento de Estado se aplica a estrangeiros que viajam aos EUA a negócios ou turismo vindos de países com “altas taxas de permanência irregular após o vencimento do visto, onde as informações de triagem e verificação são consideradas deficientes”.
A suspensão da exigência para portadores de ingressos da Copa ocorre em um momento em que hotéis vêm descrevendo o torneio como um “não evento”, citando reservas abaixo das previsões iniciais.
A Forbes entrou em contato com o Departamento de Estado para comentar o assunto.
Políticas de Trump que impactam estrangeiros durante a Copa
A suspensão da caução é apenas uma entre várias medidas implementadas ou anunciadas pelo governo Trump que podem afetar torcedores estrangeiros durante a Copa do Mundo.
A lei “One Big Beautiful Bill Act”, assinada no ano passado, introduziu uma “taxa de integridade de visto” de US$ 250 (R$ 1.250) para a maioria dos vistos americanos de não imigrantes.
Além disso, a U.S. Customs and Border Protection propôs no ano passado uma exigência para que visitantes internacionais que utilizam o Visa Waiver Program sejam submetidos a extensas verificações de redes sociais e dados pessoais.
Contexto importante
A Copa do Mundo FIFA 2026 começará em 11 de junho, com Estados Unidos, México e Canadá como países-sede — embora a ampla maioria das partidas aconteça nos EUA.
Embora existam sinais de alta demanda por ingressos, o impacto econômico esperado para os Estados Unidos parece menos forte do que o inicialmente projetado.
Quase 80% dos hoteleiros localizados em 11 cidades-sede afirmaram no início deste mês que as reservas estavam abaixo das previsões originais.
Um relatório da Oxford Economics apontou que os jogos da Copa devem gerar um “impulso moderado” nos setores de lazer e hospitalidade das cidades-sede, mas que esse aumento não deverá “ter impacto material” sobre empregos e crescimento econômico neste ano.
Os preços dos ingressos da Copa também estão caindo, segundo o The Athletic, que constatou redução no preço mínimo de entrada para 76 das 78 partidas nos Estados Unidos.
Metade desses jogos registrou queda de 20% ou mais no valor mínimo dos ingressos em apenas duas semanas, informou a The Atlantic, citando dados da TicketData.com.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com