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USDA Lança Programa NPG-Ag para Testar Inteligência Artificial em Tempo Real no Campo

O governo dos Estados Unidos deu um passo concreto para acelerar a adoção de tecnologia no campo. Na manhã da terça-feira ( 7), na semana passada, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou oficialmente o lançamento do NPG-Ag, sigla para National Proving Grounds Network for AgTech, ou Rede Nacional de Campos de Prova para AgTech.

A iniciativa cria uma infraestrutura permanente de testes para avaliar, em condições reais de produção, ferramentas digitais e soluções baseadas em inteligência artificial voltadas à agricultura e à pecuária norte-americanas.

O anúncio foi feito pelo subsecretário de Pesquisa, Educação e Economia do USDA, Scott Hutchins, e contou com a participação da secretária de Agricultura, Brooke Rollins. O programa é liderado pelo Agricultural Research Service (ARS), o principal braço de pesquisa científica do USDA, em articulação com outras agências do departamento e com universidades land-grant, instituições públicas americanas historicamente voltadas ao ensino e à pesquisa aplicada em agricultura, espalhadas por todo o país.

O que é, exatamente, o NPG-Ag

Na prática, o NPG-Ag funciona como um “campo de provas” federal: um ambiente estruturado e independente onde tecnologias agrícolas, sejam elas já comercializadas ou ainda em fase de desenvolvimento, passam por avaliação rigorosa antes de chegarem em escala às fazendas americanas.

O objetivo central é eliminar uma lacuna que vem crescendo nos últimos anos: a oferta de soluções tecnológicas para o agro avança mais rápido do que a capacidade dos produtores de avaliar, com dados confiáveis, quais delas realmente funcionam.

GettyimagesSecretária de Agricultura, Brooke Rollins, diz que iniciativa ajudará os produtores

O comunicado oficial do USDA descreve que o programa irá “testar e validar de forma completa tanto ferramentas existentes quanto emergentes em condições reais de produção”, com foco em oferecer ao agricultor americano informações orientadas por dados sobre o desempenho de cada tecnologia e seu retorno econômico, reduzindo o risco de investimento e apoiando decisões mais informadas.

O processo de avaliação seguirá etapas definidas: triagem inicial das tecnologias submetidas, revisão de prontidão, testes de campo padronizados e avaliação de desempenho. Empresas de agtech interessadas em submeter produtos, comerciais ou pré-comerciais, poderão se inscrever junto à Grand Farm assim que o processo de recebimento for aberto ao público.

Por que o programa foi criado agora

A agricultura nos Estados Unidos enfrenta pressões simultâneas: custos de insumos elevados, escassez de mão de obra, variabilidade climática crescente e a necessidade de competir em um mercado global cada vez mais disputado.

Ao mesmo tempo, o mercado de agtech vive um momento de proliferação acelerada, com tratores autônomos, sensores com IA para monitoramento de culturas, plataformas de análise de dados e sistemas de irrigação de precisão. Para muitos produtores, a falta de dados independentes sobre essas soluções é um obstáculo real à adoção.

“O NPG-Ag ajudará os produtores a reduzir custos de insumos, diminuir riscos, aumentar a produtividade e acessar dados confiáveis sobre ferramentas de agricultura de precisão e outras tecnologias agrícolas”, afirmou a secretária Brooke Rollins.

O subsecretário Hutchins foi além: “A pesquisa agrícola nos Estados Unidos há muito apoia o desenvolvimento de soluções práticas que melhoram a produtividade em fazendas e ranchos, ao mesmo tempo em que fortalecem as economias rurais; de fato, a inovação tem sido nossa vantagem competitiva e garantido a segurança alimentar desde a fundação do país há 250 anos”.

Segundo ele, “ao estabelecer uma rede nacional de pesquisa coordenada para validar de forma objetiva tecnologias novas e emergentes, especialmente tecnologias digitais e baseadas em IA, estamos ajudando a garantir que produtores de grãos, culturas especiais e pecuária tenham acesso a dados confiáveis de desempenho para suas decisões de investimento, com o objetivo de acelerar a adoção de inovações em AgTech. Além disso, esperamos plenamente que o NPG-Ag amplie e facilite o desenvolvimento e a aplicação de tecnologias emergentes nos setores público e privado para beneficiar de maneira única a agricultura dos EUA.”

A Grand Farm como gestora nacional

A organização escolhida para gerenciar o programa em nível nacional é a Grand Farm, ecossistema de agtech sediado em Casselton, Dakota do Norte, e mantido pela Emerging Prairie, organização voltada ao fomento do empreendedorismo na região.

Fundada em 2019, a Grand Farm já reúne mais de 3.300 organizações globais em sua rede e conduziu mais de 80 ensaios de campo. Seu campus de inovação, onde o programa terá sua sede operacional, foi também o local do anúncio oficial do NPG-Ag.

A estrutura do programa se apoia em um acordo de cooperação entre a Grand Farm, a Universidade Estadual da Dakota do Norte (NDSU) e o ARS, com US$ 11 milhões (R$ 62,7 milhões) captados até o momento, incluindo US$ 2 milhões (R$ 11,4 milhões) destinados à criação de um posto do ARS no campus, que funcionará como escritório de gestão do programa.

O senador republicano John Hoeven foi um dos principais articuladores do financiamento. “Se você já esteve no local da Grand Farm, sabe que é mais do que apenas terra. É onde reunimos pessoas para colaborar em alguns dos maiores desafios enfrentados pela indústria agrícola”, afirma Brian Carroll, COO da organização.

O papel da inteligência artificial

A IA não é apenas o objeto de avaliação do NPG-Ag: ela também será ferramenta dentro do próprio processo de testes. A fase inicial do programa concentrará esforços no controle de plantas daninhas, usando visão computacional e aprendizado de máquina para quantificar densidade e cobertura de ervas daninhas antes e depois da aplicação das tecnologias avaliadas.

Isso representa uma mudança em relação às avaliações visuais tradicionais, que continuarão sendo usadas como referência comparativa nos estágios iniciais.

À medida que a rede se expandir para outras frentes, como doenças de culturas, produção animal e gestão hídrica, sistemas de avaliação específicos serão desenvolvidos com base em IA e em abordagens especializadas para cada domínio.

Para posicionar o ARS nessa nova era, o órgão criou o cargo de Diretor de Agricultura Digital, responsável por articular cientistas, programas internos e parceiros externos no desenvolvimento, adoção e implementação de tecnologias emergentes. “O ARS permanece firmemente comprometido em garantir que as tecnologias emergentes sejam avaliadas de forma rigorosa por meio de um processo transparente e baseado em ciência”, afirmou o administrador do ARS, Joon Park.

O que está em jogo

Os objetivos declarados do NPG-Ag são reduzir custos de insumos como fertilizantes, sementes e preparo do solo; diminuir a dependência de mão de obra por meio da automação; e aumentar a eficiência geral das operações agrícolas.

Para investidores, o programa também sinaliza maior segurança, já que produtores com acesso a dados validados tendem a tomar decisões de adoção mais rápidas e com menor percepção de risco.

“A rede irá apoiar o desenvolvimento colaborativo de tecnologias emergentes para que agricultores e pecuaristas dos EUA sejam os primeiros a se beneficiar”, afirma o comunicado oficial do USDA.
O programa ainda está em fase de estruturação, e muitas das respostas sobre eficácia concreta virão nos próximos meses.

O que está claro é que o governo americano decidiu não deixar essa avaliação ao mercado: a aposta é em uma instância pública, coordenada e com metodologia padronizada para separar o que funciona do que apenas promete.

Reportagem publicada em Forbes.com e editada por Forbes Brasil



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