Durante cerca de dez anos, o documentarista João Paulo Krajewski atravessou rios isolados, enfrentou expedições em áreas remotas da Amazônia e acompanhou o ritmo imprevisível das águas que moldam a maior floresta tropical do planeta.
O resultado dessa imersão agora ganha forma em “Floresta das Águas”, série documental que reúne imagens inéditas da vida selvagem amazônica captadas ao longo de uma década de filmagens.
A produção transforma os rios amazônicos em protagonistas silenciosos da narrativa. São eles que determinam deslocamentos, alteram paisagens, reorganizam habitats e impõem novos ciclos à floresta. A série acompanha a dinâmica invisível que sustenta a vida em um dos ecossistemas mais complexos do planeta.
Da ciência para o cinema de natureza
Biólogo e doutor em Ecologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), João Paulo construiu uma carreira internacional especializada em documentários de natureza e comportamento animal.
Em 2025, venceu o Emmy Awards na categoria Melhor Fotografia pelo trabalho desenvolvido na série “O Mundo Secreto do Som com David Attenborough”, consolidando seu nome entre os principais cinegrafistas brasileiros dedicados à vida selvagem.
Uma década acompanhando a força das águas

O novo projeto nasce justamente da experiência acumulada em mais de 40 expedições realizadas na Amazônia brasileira, peruana e equatoriana.
Ao longo desse período, João Paulo acompanhou de perto como os rios determinam o funcionamento da floresta, alterando paisagens, influenciando o comportamento dos animais e transformando ecossistemas inteiros durante os ciclos de cheia e vazante.
“Floresta das Águas” é dividida em quatro episódios de 30 minutos e foi inteiramente filmada em ambiente natural. A proposta da série é mostrar como a água estrutura a vida na Amazônia, conectando espécies, habitats e movimentos da floresta.
A produção sonora teve captação realizada pelo biólogo Marcelo Barreiros diretamente na floresta, enquanto o design de som ficou sob responsabilidade do estúdio Input Som. A trilha original foi composta por Alexandre Guerra e gravada pela Orquestra Sinfônica de Budapeste.
“Floresta das Águas” é uma produção da Natural History Brazil, com direção de João Paulo Krajewski e realização de Marina Moraes Barros Lutz e João Carlos Lutz.
As gravações ocorreram em áreas estratégicas da Amazônia, como o Refúgio de Vida Silvestre Rios São Benedito e Azul e a RPPN Cristalino, além de bases de apoio no sul da floresta, entre elas Cristalino Lodge, Rio Azul Jungle Lodge, São Benedito Lodge, Pousada Thaimaçu e Pousada Rio Roosevelt.
Cenas raras em ambiente totalmente natural

As imagens captadas por João Paulo revelam comportamentos raros da fauna amazônica, muitos deles pouco documentados.
Entre os registros estão bandos de papagaios atravessando corredeiras, ariranhas caçando em imagens subaquáticas de alta definição, rios cristalinos cobertos por plantas aquáticas e macacos enfrentando jacarés-açu em áreas alagadas.
A produção também registra a transformação da floresta durante os períodos de chuva, quando grandes áreas de mata ficam submersas e obrigam espécies inteiras a adaptar seus deslocamentos e hábitos de sobrevivência.
Espécies menos frequentes, como o papagaio-careca, também aparecem nos episódios. Segundo a produção, boa parte das cenas exigiu anos de espera e repetidas expedições para que os comportamentos fossem registrados em ambiente totalmente natural.
Emmy internacional e trajetória global
Ao longo da carreira, João Paulo Krajewski trabalhou como diretor de fotografia e consultor científico em produções internacionais de empresas como BBC Studios, Humble Bee Films, Plimsoll Productions e Silverback Films.
Entre os projetos estão “The Americas”, “The Green Planet”, “Dogs in the Wild”, “Primates”, “Earth’s Great Rivers”, “Life in Color com David Attenborough”, “Secret World of Sounds” e “Animal”.
Além da Amazônia, o documentarista já realizou filmagens em outros biomas brasileiros, como Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, litoral e ilhas oceânicas. Ao longo da trajetória, percorreu mais de 60 países.