O vice-prefeito de São Paulo, Coronel Ricardo Mello Araújo (PL-SP), foi às redes sociais para fazer uma campanha a favor da empresa Ypê, ignorando a recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de não usar os produtos devido a suspeita de um lote contaminado com bactérias.
Em uma publicação no Instagram, Mello Araújo aparece lavando louça com um detergente Ypê e com outros produtos de limpeza da marca ao redor da pia.
“Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com essa empresa 100% brasileira. Vamos nos supermercados, vamos comprar produtos Ypê. Quem tem produtos Ypê, posta no Instagram, marca a Ypê”, disse o vice-prefeito da capital paulista.
De acordo com a Anvisa, detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da marca, de todos os lotes com numeração final 1 podem estar contaminados por bactérias. Os itens foram produzidos na fábrica Química Amparo, localizada na cidade de Amparo, no interior de São Paulo, onde foram constatados “descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo” durante inspeção.
Diante disso, a Anvisa determinou a suspensão da fábrica e o recolhimento dos produtos. A empresa não aceitou a decisão, entrou com recurso e conseguiu efeito suspensivo. Agora, a Agência recomenda que os produtos não sejam consumidos até o julgamento pela Diretoria Colegiada da Anvisa, que ainda não tem data marcada.
“Mesmo com o efeito suspensivo, a Anvisa recomenda que os consumidores não usem os produtos indicados, por segurança. É de responsabilidade da empresa orientar cidadãs e cidadãos, por meio do seu Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), sobre procedimentos de recolhimento, troca, devolução, ressarcimento ou outras providências cabíveis”.
Como mostrou o Metrópoles, na quinta-feira (7/5) clientes disseram ter dificuldades de entrar em contato com o SAC por telefone. A empresa abriu um formulário on-line que pode ser preenchido pelos consumidores.
Bolsonaristas fazem campanha
A atitude de Mello Araújo foi seguida por outros políticos ligados ao bolsonarismo. É o caso do deputado estadual Lucas Bove (PL-SP), que deixou implícito nas redes sociais que não se deve confiar na “Anvisa de Lula”.
“Seguindo o vídeo do nosso querido Coronel Mello Araújo, vice-prefeito de São Paulo, aqui em casa só produto Ypê, que é gente séria, gente direita, gente bolsonarista e, por isso, está sendo perseguida”, afirmou Bove nas redes sociais.
Junto ao vídeo, o parlamentar abriu uma enquete para os espectadores votarem, com a pergunta “em quem você confia mais?”, e com as opções de resposta “Ypê”, ou “Anvisa de Lula”.
O prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos-SP), conhecido como “prefeito Tiktoker”, também fez um vídeo sobre a marca. Na publicação, ele diz que os produtos do lote contaminado devem ser trocados, mas que não se pode “massacrar a empresa”.
Entrei em contato com produto contaminado, e agora?
Um dos grandes problemas relacionados à decisão da Anvisa foi a detecção da presença da bactéria pseudomonas aeruginosa em lava-roupas líquidos e detergentes da Ypê. Em contato com humanos, o microrganismo pode causar infecções, especialmente em pessoas com imunidade comprometida, feridas abertas ou em ambientes hospitalares.
Em indivíduos saudáveis, o risco é menor. No entanto, o contato com os produtos contaminados continua não sendo recomendado. Caso sejam identificados qualquer sintoma estranho após o uso de algum dos itens suspensos, é indicado procurar ajuda médica, a fim de evitar intercorrências mais graves. A bactéria é considerada resistente e quanto mais cedo começar a ser tratada, mais as chances de sucesso no tratamento.