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Volatilidade Impulsiona Nova Geração de Outliers Brasileiros

Empresas como Creditas, EBANX, VTEX e ContaAzul têm algo em comum que vai além de escala ou valuation. Elas cresceram, e continuam crescendo, em um dos ambientes mais voláteis do mundo.

É esse padrão que define os Outliers, selo global da Endeavor que reconhece as empresas de maior crescimento do mundo. Em 2026, são 225 companhias selecionadas entre mais de 3.000 empreendedores em mais de 50 países. Juntas, levantaram US$ 31 bilhões nos últimos três anos, somam dezenas de unicórnios e operam, em sua maioria, além de seus mercados de origem.

O Brasil ocupa um papel desproporcional nesse grupo: mais de 17% das empresas Outliers são brasileiras, a maior participação entre todos os países.
Não se trata de um acaso. Em um cenário marcado por juros elevados, instabilidade macroeconômica e ciclos imprevisíveis, empresas brasileiras aprenderam a operar sob pressão e transformar volatilidade em alavanca de crescimento.

Casos recentes reforçam esse movimento. A ContaAzul foi adquirida por R$ 1,7 bilhão pela Visma. A Omie liderou uma das maiores captações do ano, levantando R$ 580 milhões. Enquanto isso, empresas como Creditas e EBANX acumulam quase uma década consecutiva entre as de maior crescimento da rede global da Endeavor.

Esses exemplos ajudam a explicar por que, para uma nova geração de empreendedores, estabilidade deixou de ser pré-requisito para escala.

Crescer apesar, ou por causa, da volatilidade

O contexto ajuda a explicar por que isso importa. O Brasil segue operando com juros elevados, volatilidade cambial e incertezas fiscais. A projeção de crescimento do PIB para 2026, em torno de 1,83%, indica um cenário de desaceleração moderada.

Ainda assim, as empresas Outliers avançam.

Nos últimos três anos, as Outliers brasileiras apresentaram crescimento médio anual de 81%, com receita média de US$ 221 milhões. Juntas, geram mais de 50 mil empregos diretos e US$ 8,6 bilhões em receita. Em produtividade, chegam a ser 11 vezes mais eficientes que a média nacional.

Essa performance não acontece apesar da volatilidade, ela é, em muitos casos, consequência dela.

Ambientes instáveis exigem decisões mais rápidas, modelos mais adaptáveis e disciplina operacional mais rigorosa. Empresas que conseguem prosperar nesse contexto desenvolvem uma musculatura que se torna diferencial competitivo em qualquer mercado.

Casos globais reforçam essa lógica. A ucraniana Preply atingiu valuation bilionário enquanto mantinha operações em Kyiv durante a guerra. A Ajax Systems expandiu para mais de 180 países em meio a instabilidade regional. A Rain, de Porto Rico, construiu uma infraestrutura global de pagamentos baseada em stablecoins, capturando uma oportunidade emergente em um sistema financeiro em transformação.

A volatilidade é um risco a ser gerenciado, mas também terreno fértil para inovação e escala.

Do Brasil para o mundo

Esse movimento também redefine a ambição dos empreendedores brasileiros. Hoje, 51% das Outliers do país já operam internacionalmente, seja com escritórios fora ou vendas cross-border. Globalmente, esse número ultrapassa 80%.

O Brasil deixou de ser apenas um mercado final para se tornar uma base de construção global.

Fintechs são um exemplo evidente. Aproveitando um sistema financeiro altamente digitalizado, com infraestrutura como Pix e open finance, essas empresas escalam soluções localmente antes de exportá-las para outros mercados. Esse padrão, explorar a complexidade local para construir vantagem global, se repete em diferentes setores.

Uma jornada não linear

Apesar da velocidade de crescimento, o caminho até se tornar um Outlier está longe de ser imediato. No Brasil, essas empresas têm, em média, 12 anos de operação.

Muitas atravessaram alguns dos períodos mais turbulentos da economia recente: o colapso da bolha da internet, a crise de 2008, instabilidades macroeconômicas locais, a pandemia e o atual ciclo de restrição de capital.

Empresas como VTEX, fundada em 1999, ou a Blip, criada antes da popularização dos smartphones, mostram que o crescimento exponencial frequentemente é resultado de uma combinação de timing, resiliência e capacidade de adaptação ao longo de décadas.

Isso contrasta com a percepção de sucesso instantâneo. No Brasil, onde cerca de 63% das empresas fecham antes de completar cinco anos, atravessar ciclos já é, por si só, um diferencial competitivo.

Mais do que crescimento: o efeito multiplicador

Outro traço comum entre os Outliers brasileiros está no impacto além das próprias empresas.

Esses empreendedores atuam como mentores, investidores e conselheiros, reinvestindo conhecimento e capital no ecossistema. Em 2025, 52 empreendedores Outliers mentoraram mais de 430 outros founders.

Esse movimento, que a Endeavor define como Efeito Multiplicador™, cria um ciclo virtuoso: fundadores bem-sucedidos aceleram a próxima geração, elevando o nível de todo o mercado.

Casos como Ricardo Josua (Pismo), Sergio Furio (Creditas) e Mariano Gomide (VTEX) ilustram essa dinâmica. Empreendedores que, ao mesmo tempo em que escalam seus negócios, ajudam outros a fazer o mesmo.

A nova turma de 2026

A turma de 2026 reforça uma tendência importante: consistência no crescimento. Das 39 empresas brasileiras reconhecidas, 21 já figuravam na lista desde 2023, e duas, Creditas e EBANX, aparecem desde a primeira edição, em 2018.

Ao mesmo tempo, novas empresas entram para o grupo, mostrando que o pipeline de crescimento segue ativo, mesmo em um cenário global mais restritivo.

180 Seguros entrou para a turma de 2026 como a única insurtech do ranking. Fundada em 2020, a empresa oferece seguros embutidos via tecnologia e chega ao reconhecimento com crescimento acelerado e um modelo que democratiza o acesso ao seguro no Brasil.

Barte é outra estreante de 2026. A fintech de infraestrutura financeira para empresas cresceu de forma consistente nos últimos três anos e entra no ranking na categoria Early Breakout.

Brasol, empresa de energia solar com operação no Brasil e presença internacional, também faz sua estreia. Fundada por empreendedores com trajetória em mercados emergentes, a companhia representa a entrada do setor de clima e energia no grupo de Outliers brasileiros.

O que os Outliers nos ensinam

Se há um traço comum entre essas trajetórias, ele aparece na forma como esses empreendedores lidam com a volatilidade, transformando incerteza em direção estratégica, independentemente de setor, modelo de negócio ou momento de mercado.

Enquanto parte do mercado aguarda previsibilidade para investir, contratar ou expandir, os Outliers operam com outra lógica: assumem a incerteza como constante e constroem vantagem a partir dela.

Como resume Linda Rottenberg, Co-Fundadora e CEO da Endeavor: quando as economias desaceleram, os empreendedores aceleram.

No Brasil, onde a volatilidade é estrutural, essa mentalidade se impõe como caminho.

A pergunta deixa de ser se o país pode produzir empresas de alto impacto, os Outliers já demonstraram que sim. O foco agora é outro: quantos novos empreendedores estão dispostos a usar a volatilidade como ponto de partida, e como acelerar sua jornada para escalar, multiplicar impacto, expandir globalmente e posicionar o Brasil entre os dez principais ecossistemas de empreendedorismo do mundo?

Essa é a missão da Endeavor Brasil.

A Endeavor é uma rede global presente em mais de 40 países e formada pelos empreendedores e empreendedoras que mais crescem no mundo. No Brasil desde 2000, acelera negócios com potencial escalável por meio do programa Scale-Up e promove conexões entre os maiores líderes do país e empreendedores em início de jornada. Também investe em startups em fases Seed e Series A, com o fundo Scale-Up Ventures.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da Forbes Brasil e de seus editores.



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