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Queda do Petróleo após Reabertura de Ormuz Pode Aliviar Inflação, Mas Risco Geopolítico Persiste, Dizem Especialistas

 A reabertura do Estreito de Ormuz reduziu de imediato a tensão nos mercados, derrubou o petróleo e trouxe alívio parcial para o câmbio. O canal é uma das rotas mais sensíveis do comércio global de energia, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo. Nesta sexta-feira (17), o anúncio de que a passagem de navios comerciais voltou a ser permitida durante o cessar-fogo provocou uma forte retirada dos prêmios de risco: o Brent caiu cerca de 11% e chegou a US$ 88,97 por barril, após ter tocado mínimas ainda mais baixas no dia.

Para José Ronaldo Souza Jr., professor de economia do Ibmec, o efeito mais importante agora depende de como essa decisão será percebida. “Os efeitos vão variar dependendo da credibilidade dessa abertura”, afirma. Se o mercado entender que a medida é duradoura, diz ele, os preços podem se acomodar nos próximos meses.

Essa acomodação teria impacto direto sobre a inflação. “Havendo essa normalização de preços, isso vai beneficiar a inflação, vai atenuar esse impacto inflacionário causado pelo choque do petróleo”, afirma. Segundo o economista, a pressão recente já atingiu outros setores, como fertilizantes e plásticos, o que amplia o efeito sobre a economia. Nas últimas cinco semanas, economistas e agentes do mercado financeiro vêm seguidamente ajustando para cima as expectativas para o IPCA, índice que mede a inflação oficial do país. O mercado já projeta que a inflação em 2026, fique em 4,71%, acima, portanto, do teto da meta de inflação definida pelo governo. O objetivo perseguido pelo Banco Central é de inflação de 3%, com limite de tolerância até 4,5%.

O economista e professor da Ibmec ressalta, porém, que o cenário ainda é incerto. “A questão da guerra não está totalmente resolvida”, diz. Ataques à infraestrutura na região podem continuar afetando a oferta. “Pode ser que essa queda não seja tão forte por conta desses problemas”, afirma.

Reações

No mercado, a reação foi imediata. Bruno Cordeiro, especialista em inteligência de mercado da StoneX, afirma que houve uma mudança rápida na precificação. “Observamos uma virada significativa do mercado”, diz. “O Brent passou a registrar queda próxima de 9%, refletindo principalmente a retirada dos prêmios de risco de oferta.”

Segundo ele, a reabertura melhora as expectativas para o fluxo global de petróleo. “A decisão eleva as expectativas de normalização dos fluxos de petróleo e derivados provenientes do Golfo Pérsico”, afirma. Ainda assim, a retomada não deve ser instantânea. “É natural observar maior cautela por parte das companhias marítimas”, diz.

Isso ajuda a explicar por que os preços podem reagir de forma diferente no curto prazo. “É possível que vejamos uma queda mais acentuada dos preços negociados em bolsa, enquanto o mercado físico permanece pressionado”, afirma Cordeiro. A recomposição da logística tende a levar mais tempo.

No câmbio, o efeito também apareceu, mas com limites. Lucca Bezzon, também especialista de mercado StoneX, afirma que a queda do dólar no exterior ajudou o real ao longo do dia. “O índice do dólar intensificou a trajetória de baixa, o que acabou favorecendo o real no curto prazo”, diz. A moeda encerrou o pregão desta sexta-feira, negociada a R$ 4,98, queda de 0,19%. É o menor valor registrado no ano.

Ainda assim, há pressões em direções opostas. “Há forças opostas atuando”, afirma. De um lado, o dólar mais fraco favorece moedas emergentes. De outro, a queda do petróleo pesa sobre ações de empresas do setor, que vinham sustentando o real. “Esse movimento limita o avanço da moeda brasileira e impacta negativamente o Ibovespa”, diz.

Para os próximos dias, o mercado deve acompanhar dois pontos: o fluxo de navios pelo estreito e as negociações entre Estados Unidos e Irã. “A expectativa é de uma retomada gradual do número de embarcações utilizando a rota”, afirma Cordeiro.

No fim, o alívio nos preços depende do fator confiança. “Vai depender da credibilidade e da durabilidade dessa mudança”, diz Souza Jr.



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