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A Executiva Italiana Que Aposta no Brasil para Construir o Maior Iate do País

Uma das mulheres mais poderosas do setor náutico no mundo, Giovanna Vitelli comanda globalmente o Grupo Azimut-Benetti, líder mundial na produção de iates de luxo. Advogada de formação, com passagem profissional por Milão e Nova York antes de entrar no grupo em 2000, a executiva italiana desembarcou no Brasil há algumas semanas para confirmar uma nova etapa da operação local: um ciclo de investimentos de R$ 120 milhões que inclui expansão industrial, transferência de tecnologia e a preparação para construir, em Santa Catarina, um megaiate de 30 metros, que custa cerca de R$ 90 milhões.

Em entrevista exclusiva à Forbes Brasil, Vitelli deixou claro o peso do mercado brasileiro dentro da estratégia do grupo, fundado por seu pai, Paolo Vitelli, falecido em 2024. “O Brasil é hoje o melhor da classe em crescimento dentro do grupo. Por isso, o conselho aprovou um investimento de R$ 120 milhões para ampliar a fábrica, trazer novos produtos e dar um novo salto no país”, afirmou.

O aporte será direcionado à unidade de Itajaí, em Santa Catarina, a única fábrica do grupo fora da Itália. Até 2028, a planta ganhará mais 27 mil m² e chegará a 65 mil m², tornando-se a maior do gênero no país, segundo a empresa. O plano envolve tecnologia, produtos, infraestrutura, aumento de capacidade e adequação física e tecnológica para receber embarcações de proporções inéditas. Nesse período, o valor de produção da fábrica brasileira deve crescer cerca de R$ 300 milhões, rumo a R$ 1 bilhão.

Para Giovanna, a presença industrial no Brasil não é casual. “O Brasil é o único lugar fora da Itália onde decidimos produzir. Aqui há duas coisas raras de encontrar juntas: um mercado apaixonado por náutica e mão de obra qualificada para construir barcos de alto padrão”, disse. Ainda segundo a executiva, o país é um dos mercados náuticos mais maduros do mundo. “O brasileiro gosta de navegar, entende de design, arquitetura e tecnologia e passa muito tempo a bordo. Não é por acaso que temos produção local aqui.”

Barco de 30 metros

O principal símbolo dessa nova etapa será o lançamento, ainda este ano, de um megaiate de 30 metros da Linha Grande. Será a primeira vez que um modelo desse porte, com tecnologias globais e design italiano, será construído integralmente no Brasil. Para Vitelli, a entrada nessa faixa representa uma mudança de patamar para a operação local.

DivulgaçãoMegaiate de 30 metros da Linha Grande: valor de R$ 90 milhões

“Quando você entra no segmento acima de 24 metros, entra em outra liga. O cliente muda, o serviço muda e o nível de qualidade exigido dá um salto em relação aos barcos menores”, afirmou. O cronograma do grupo é claro. “Queremos acelerar para lançar o 30 metros na água antes de julho de 2028.”

A expansão, porém, não será medida apenas em tamanho físico ou no porte da nova embarcação. Hoje, a operação brasileira tem capacidade para até 40 unidades por ano, mas o movimento agora é outro. “Queremos crescer em tamanho, valor agregado e sofisticação com a entrada em uma nova categoria”, disse. Para sustentar esse avanço, o grupo também ampliará o quadro de profissionais. “Como grupo, vamos ampliar a força de trabalho de 600 para 800 pessoas. Crescer exige treinamento, requalificação e transferência diária de conhecimento entre Brasil e Itália.”

Faturamento de 1,5 bilhão de euros

O avanço brasileiro acontece em paralelo a um momento robusto da companhia no mundo. O Grupo Azimut-Benetti fechou 2024 com faturamento global de 1,5 bilhão de euros, alta de 15%, 23% de market share. No Brasil, a Azimut detém cerca de 40% de market share em seu segmento e é a única empresa global do setor com filial própria no país, sem intermediários.

A leitura de Vitelli sobre o futuro do negócio passa também por tecnologia e pela mudança do que o cliente espera de um iate de luxo. “Hoje, a sustentabilidade para nós também é conforto. Com tecnologia híbrida e soluções de baixo consumo, o cliente ganha silêncio a bordo, mais eficiência e uma experiência de uso muito mais sofisticada”, afirmou.

Essa visão ajuda a explicar por que o Brasil ganhou papel central na operação fora da Itália. Com 8,5 mil km de litoral, 42 mil km de vias interiores navegáveis e clima favorável durante o ano, o país foi escolhido pelo grupo em 2010 para sediar sua única fábrica fora da Europa. Localizada em Itajaí, no polo náutico de Santa Catarina, a unidade brasileira deverá se consolidar como principal polo de exportação para a América do Sul, com foco em mercados como Chile, Argentina, Venezuela, Uruguai e Colômbia. A empresa estima que essa frente de exportação cresça 10% neste ano.

No centro desse movimento está Giovanna Vitelli. Ao falar à Forbes Brasil, a executiva não descreve apenas uma ampliação fabril ou o lançamento de um novo barco. Ela desenha uma estratégia em que o Brasil deixa de ser apenas um mercado relevante e passa a ocupar um lugar mais ambicioso dentro do grupo: o de plataforma industrial, tecnológica e exportadora para a próxima fase da náutica de luxo na América do Sul.



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