A Apple estaria testando pelo menos quatro estilos de armações para seu projeto de óculos inteligentes, segundo informou a Bloomberg no último domingo (12). É possível que a empresa esteja ainda avaliando uma cartela ampla de cores, decisão coerente com as últimas movimentações da marca, que apostou no laranja para seu celular topo de linha e no rosa e no amarelo para o novo MacBook Neo.
Os modelos em desenvolvimento incluem dois retangulares — um com armação mais fina e outra mais robusta — e dois arredondados, em tamanhos diferentes. As possíveis cores são azul oceano, preto e marrom claro. A publicação indica ainda que a Apple planeja usar acetato na composição dos óculos, de forma a conferir durabilidade e aparência premium.
No que diz respeito às câmeras, a expectativa é que sejam dispostas em um padrão oval com luzes indicadoras ao redor, o que diferenciaria o produto da concorrência. Assim como ocorre no Vision Pro, o dispositivo deve contar com duas câmeras: uma dedicada à computação visual e outra de alta resolução para fotos e vídeos.
Assim como os concorrentes, os óculos devem integrar câmeras, microfones e sensores capazes de capturar fotos, reproduzir música e interagir com uma IA conversacional, no caso da Apple, a Siri, que deve ser aprimorada em breve com a parceria com o Google. O anúncio oficial está previsto entre o fim de 2026 e o início de 2027.
A corrida pelos smart glasses
A EssilorLuxottica vendeu mais de 7 milhões de óculos com IA em 2025 sob as marcas Ray-Ban e Oakley, volume que mais que triplicou em relação aos dois anos anteriores. Apesar de existir desde 2019, foi apenas em 2023 que o segmento começou a ganhar tração. O objetivo é escalar a produção para 20 milhões de unidades até o fim deste ano.
A Apple, que vinha perdendo espaço na corrida pela IA, sinalizou que a tecnologia está no centro da sua próxima fase de expansão. Além dos óculos, a empresa desenvolve AirPods com câmeras integradas e um possível pingente vestível.
A aposta nos óculos inteligentes, no entanto, não é nova, e até gigantes da tecnologia não conseguiram se consolidar tão bem no segmento. Há mais de 10 anos, o Google lançou o Google Glass, com a promessa de inaugurar a era dos wearables. Só que o projeto não saiu bem como esperado, e foi descontinuado em 2015. Os motivos incluem a falta de consenso claro sobre o uso do produto — nem mesmo dentro do laboratório havia uma visão definida — e o preço elevado de US$ 1.500, combinado com uma bateria que durava pouco e bugs constantes.
Além disso, na época, as pessoas não eram tão adeptas à ideia de conviver com um dispositivo capaz de gravar tudo ao seu redor — uma ameaça à privacidade. Em 2025, o próprio cofundador do Google, Sergey Brin, admitiu publicamente os erros: “Definitivamente, sinto que cometi muitos erros com o Google Glass, para ser sincero. Aprendi muito”.
O que mudou desde então é uma combinação de fatores: a IA generativa tornou os assistentes mais úteis e populares, o que levou ao barateamento dos componentes e maior aceitação por parte do público. Os óculos inteligentes deixaram de soar como invasão e passaram a ser vistos como uma extensão do smartphone, assim como os smartwatches.
O que eles fazem?
Na prática, os smart glasses atuais funcionam como um celular longe das mãos. Eles tiram fotos, gravam vídeos, fazem ligações, reproduzem música e executam comandos por voz via IA. Sensores de movimento rastreiam o ambiente, permitindo que o dispositivo transcreva textos em tempo real, identifique objetos e até registre eventos de um cartaz diretamente na agenda do celular.
É exatamente essa conveniência que faz com que empresas como Apple, Meta e Google vejam no dispositivo um possível substituto do smartphone, a médio prazo — uma ideia diferente da que a Apple tem propagado, que consiste em um acréscimo ao ecossistema da marca.