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Colaboração Impulsiona a Inclusão Digital na América Latina

O avanço tecnológico costuma ser associado a ganhos de desempenho e escala em praticamente todos os setores. Mas, em paralelo, persistem lacunas estruturais em conectividade e acesso a habilidades digitais, especialmente em regiões periféricas ou geograficamente isoladas. Esse contraste tem impulsionado a criação de iniciativas que buscam traduzir inovação em impacto concreto, conectando infraestrutura tecnológica a demandas sociais específicas.

Por trás de ações que geram impacto real e duradouro está um fator recorrente: a capacidade de articular diferentes atores em torno de problemas complexos. Na América Latina, a redução da divisão digital passa menos por soluções isoladas e mais por modelos que combinam escala, adaptação e continuidade.

Ao longo da última década, algumas iniciativas voltadas à inclusão digital passaram por uma transformação relevante: deixaram de focar exclusivamente em acesso à tecnologia e passaram a incorporar dimensões mais amplas, como saúde, geração de renda e sustentabilidade ambiental. Essa mudança não ocorreu por acaso, mas a partir de aprendizados acumulados em campo, em diálogo direto com comunidades locais.

No Brasil, esse movimento se torna mais tangível ao observar como projetos desse tipo são implementados. Em vez de replicar um modelo rígido, a lógica predominante tem sido a de adaptação, partindo de diagnósticos locais e situacionais para definir prioridades e soluções.

Um exemplo emergencial é Eldorado do Sul (RS), cidade muito atingida pelas fortes chuvas que impactaram o estado em 2024. A criação de um centro comunitário com base tecnológica surgiu em resposta a um evento climático extremo. Esse tipo de iniciativa, presente em modelos como os chamados Solar Community Hubs, costuma combinar conectividade, energia limpa e capacitação em um mesmo espaço comunitário. A iniciativa começou com ações emergenciais, mas rapidamente evoluiu para algo mais estruturante, incorporando capacitação profissional, acesso a serviços digitais e suporte à reconstrução econômica da comunidade.

Já na Amazônia, o mesmo modelo assume outra configuração. Ali, a infraestrutura tecnológica se integra a práticas de gestão de recursos naturais, acesso à água potável e capacitação em atividades como agrofloresta. O resultado é uma abordagem que conecta inclusão digital a temas como segurança hídrica, conservação ambiental e saúde básica, refletindo as demandas específicas de populações ribeirinhas e indígenas.

Na América Latina, o modelo também se desdobra em diferentes formatos, refletindo a diversidade dos contextos urbanos e sociais da região. No México, iniciativas implementadas em cidades como Ecatepec, Monterrey, Xalapa e Zapopan têm como foco principal a empregabilidade e a formação técnica, com ênfase em habilidades digitais, robótica e programação. Em áreas urbanas marcadas por desigualdade, esses espaços funcionam como pontos de acesso à capacitação e serviços que dificilmente estariam disponíveis de outra forma, além de criarem conexões mais diretas com o mercado de trabalho local.

Já na Colômbia, um caso no município de Soacha ilustra um contexto distinto: uma região de crescimento acelerado e forte pressão social, onde a inclusão digital aparece associada à criação de espaços seguros para jovens e ao desenvolvimento de competências voltadas ao empreendedorismo e à economia criativa. Nesse cenário, a tecnologia atua não apenas como ferramenta de capacitação, mas também como instrumento de inclusão social e redução de vulnerabilidades.

Em comum, esses exemplos mostram que, embora o modelo seja compartilhado, sua efetividade depende da capacidade de responder a dinâmicas locais, seja em periferias urbanas densas ou em comunidades em expansão, reforçando a ideia de que a escala, por si só, não garante impacto sem adaptação contextual.

O poder da parceria

Outro elemento central é a construção de redes de colaboração. Projetos com maior capacidade de escala costumam se apoiar em uma combinação de organizações globais, parceiros locais e participação ativa das próprias comunidades.

Em muitos desses casos, a articulação entre empresas de tecnologia e organizações especializadas em inclusão digital, como a parceria com a Computer Aid, ajuda a conectar escala global com execução local, garantindo que as soluções façam sentido no território.

No Brasil, essa dinâmica se traduz em modelos nos quais a comunidade não apenas acessa os serviços, mas também participa da gestão e da operação dos espaços. Esse envolvimento contribui para aumentar a aderência das iniciativas e reforça o senso de pertencimento, um fator muitas vezes determinante para a sustentabilidade no longo prazo.

Há também um esforço crescente de estruturar métricas mais consistentes de avaliação de impacto. A combinação de indicadores quantitativos, escuta ativa das comunidades e validação externa aponta para uma tentativa de ir além de narrativas genéricas e avançar na mensuração concreta de resultados, seja em educação, saúde ou meio ambiente.

Nesse contexto, o uso de tecnologia também começa a assumir um papel mais sofisticado.
Na Amazônia, por exemplo, ferramentas baseadas em inteligência artificial vêm sendo utilizadas para monitoramento ambiental e coleta de dados sobre a fauna e a floresta, ampliando a capacidade de pesquisa e gestão do território. Trata-se de um uso da tecnologia menos centrado em eficiência operacional e mais voltado à geração de conhecimento e preservação.

Um futuro construído sobre responsabilidade compartilhada

Essas experiências também evidenciam a importância de combinar respostas de curto prazo com estratégias estruturais. Iniciativas que surgem em contextos emergenciais, como desastres climáticos, tendem a gerar maior impacto quando conseguem evoluir para soluções permanentes, voltadas à redução de vulnerabilidades.

No fim, o que essas experiências sugerem é que a inclusão digital, quando tratada de forma isolada, tende a ter alcance limitado. Já quando integrada a uma agenda mais ampla de desenvolvimento social e ambiental, passa a funcionar como vetor de transformação mais consistente.

O desafio, daqui para a frente, está menos em expandir modelos de forma indiscriminada e mais em manter a capacidade de adaptação e escuta ativa. É nesse equilíbrio — entre escala e contexto — que iniciativas desse tipo encontram seu maior potencial de impacto.

*Luis Gonçalves, presidente da Dell Technologies para a América Latina

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.



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