Em meio a discussões globais sobre a desaceleração nos investimentos corporativos em diversidade, Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil, afirma que o cenário no país não teve uma virada radical. “Ninguém pisou tanto no breque como a gente achava que tinha pisado”, disse durante coletiva de imprensa na terça-feira (5).
Para a empresária, que acompanha o movimento desde o início de sua carreira, há mais de 60 anos, a velocidade das redes sociais passou a ditar a maneira como as empresas lidam com o tema e, logo, com os impactos sobre sua reputação. “Quem mede a opinião pública é o povo. As empresas estão cansadas de saber que é muito caro ser contra [a diversidade]”, afirmou. “O Magazine continuou do mesmo jeito, mas não é por bondade, é porque também tem medo do consumidor final.”
Hoje, o Magazine Luiza conta com 45% de mulheres na liderança. No mercado de trabalho brasileiro, mulheres ocupam cerca de 32% dos cargos de gestão, embora representem 45% da força de trabalho, de acordo com dados do LinkedIn.
Sustentar esses avanços exige ação, e a empresária não é de ficar parada. Junto com o Grupo Mulheres do Brasil, lança o Summit Mulheres nas Profissões, que acontecerá nos dias 4 e 5 de agosto no Expo Center Norte, em São Paulo. “A diversidade teve um salto muito grande, e não queremos voltar atrás. Por isso, estamos fazendo esse movimento.”
A empresária quer reunir mais de 10 mil profissionais, homens e mulheres, em uma área com 14 mil metros quadrados e mais de 10 arenas divididas por profissões — cobrindo temas que vão de inteligência artificial e agronegócio até justiça e saúde.
O objetivo é criar pontes para o protagonismo feminino em cargos de liderança por meio de networking, palestras, coleta de currículos e rodadas de negócios com investidores. “É assim que vamos pular para 50% de mulheres até 2030 liderando a saúde, a justiça, a ciência, a política, a educação e o futuro.”