O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (29) reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano, em linha com a expectativa majoritária do mercado.
A decisão marca a continuidade do ciclo de flexibilização iniciado em março, em um ambiente ainda marcado por incertezas no cenário externo e pressões sobre as projeções de inflação.
O Boletim Focus desta segunda feira (27) trouxe a sétima revisão seguida da projeção de inflação para este ano. Na pesquisa semanal do BC com analistas do mercado financeiro, a mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador que mede a inflação oficial do pais, em 2026 aponta para 4,86% em 2026. O resultado projetado pelos economistas fura o teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional que é de 3%, com limite até 4,5%.
Em março, o IPCA avançou 0,88%, ficando 0,18 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada em fevereiro (0,70%). No ano, o índice calculado pelo IBGE acumula alta de 1,92% e, nos últimos 12 meses, de 4,14%, acima dos 3,81% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março de 2025, a variação havia sido de 0,56%.
O que disse o Copom em seu comunicado
O Comunicado traz uma avaliação de cenário bastante parecida com a da reunião anterior. A projeção de inflação do Copom para o quarto trimestre de 2027 subiu de 3,3% na reunião de março para 3,5%
Uma das alterações foi que o risco de desancoragem da inflação está “incorporando impactos potenciais de segunda ordem de restrições de oferta de petróleo e seus derivados”, algo que não havia no texto do Comunicado anterior. O texto frisou que os riscos para a inflação “permanecem mais elevados do que o habitual”.
Assim como na reunião de março, o Comitê não forneceu “forward guidance” para os juros. Segundo o texto, “o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros (…) possam incorporar novas informações (…) sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e” indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.