O Metrópoles entrevista na manhã desta quarta-feira (30/4) o ex-ministro Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de São Paulo. O petista disse que a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado tem “gosto amargo”. Segundo ele, o indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é uma das “figuras mais impolutas” deste país.
“O Messias deu sustentação para o Ministério da Fazenda acabar com alguns esquemas de corrupção de anos, como o caso da Reag, como o caso do Master, como o caso da Refit, grandes esquemas de corrupção, como o caso do INSS, que foi desbaratado também nesse governo. Esses casos todos contaram com uma Advocacia-Geral da União de prontidão para apoiar os Ministérios a fazer o que tinha que ser feito. Agir contra o crime organizado, agir contra a corrupção. Então para mim. Ele teve um gosto amargo”, disse.
É a segunda vez que o petista disputa a vaga ao Palácio dos Bandeirantes contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), também pré-candidato à reeleição, e a terceira em que enfrenta um bolsonarista.
Hoje, o ex-ministro concorre em desvantagem. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nessa quarta-feira (29/4), o governador aparece à frente de Haddad em todos os cenários de 1º e 2º turnos.

Fernando Haddad durante campanha ao governo de São Paulo em 2022
Foto: Diogo Zacarias

Fernando Haddad durante campanha ao governo de São Paulo em 2022
Foto: Diogo Zacarias

Fernando Haddad durante campanha ao governo de São Paulo em 2022
Foto: Diogo Zacarias

Fernando Haddad durante campanha ao governo de São Paulo em 2022
Foto: Diogo Zacarias

Fernando Haddad durante campanha ao governo de São Paulo em 2022
Foto: Diogo Zacarias

Fernando Haddad durante campanha ao governo de São Paulo em 2022
Foto: Diogo Zacarias

Fernando Haddad durante campanha ao governo de São Paulo em 2022
Foto: Diogo Zacarias

Fernando Haddad durante campanha ao governo de São Paulo em 2022
Foto: Diogo Zacarias
O levantamento simulou dois cenários de 1º turno, ambos liderados por Tarcísio. No primeiro deles, o governador bolsonarista tem 38% das intenções de voto, contra 26% do aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No segundo cenário, sem o ex-prefeito do ABC Paulo Serra entre as opções, Tarcísio marca 40% dos votos, contra 28% de Haddad. A pesquisa simulou as intenções de voto em um eventual segundo turno entre Tarcísio e Haddad. O atual governador lidera com 49%, contra 32% do ex-ministro da Fazenda.
A decisão
O ex-ministro não demonstrava interesse de ser candidato ao governo de São Paulo até março deste ano, quando o presidente Lula o teria convencido da “missão”. O petista repetia diversas vezes que queria colaborar na elaboração do programa de campanha. No entanto, decidido após reunião com o chefe do Palácio do Planalto, ele se desimcompatibilizou do cargo, que foi assumido por Dario Durigan.
A estratégia política do PT mira o estado de São Paulo como prioridade nesta campanha por ser o maior colégio eleitoral do país. Enquanto pré-candidato à reeleição, Lula buscava um palanque capaz de vocalizar sua plataforma de campanha, mas as opções de candidatos eram escassas. Haddad preencheria essa lacuna, em que pese sua desvantagem, hoje, na preferência do eleitorado paulista.
Em 2022, quando disputou pela primeira vez o governo estadual, o ex-ministro foi derrotado, no segundo turno, por Tarcísio, por uma diferença de 2.490.152 votos no estado. Na capital, no entanto, o ex-ministro obteve 540 mil votos a mais que seu concorrente.
Campo bolsonarista
Neste ano, o ex-ministro fará seu terceiro enfrentamento com o campo bolsonarista nas urnas. Em 2018, ele tentou ser presidente da República pelo PT, mas perdeu para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje preso, por uma diferença de 10,7 milhões de votos.
Naquela ocasião, Haddad passou de candidato a vice-presidente a candidato a presidente após a Justiça eleitoral barrar a candidatura de Lula pela Lei da Ficha Limpa, em agosto. Perdeu no segundo turno, sendo que no estado de São Paulo, a diferença foi de cerca de 8 milhões de votos a favor de Bolsonaro.
Essa derrota de oito anos atrás foi encarada por aliados e adversário como um “sacrifício”, já que Haddad foi convocado a pouco mais de um mês da eleição.
“Para ganhar”
Agora, o ex-ministro descarta que vá, novamente, para o sacrifício. Ele já afirmou que só avalia assim hoje sua decisão quem “nunca tomou um chope” com ele e que entrou na disputa “para ganhar”.
Sua campanha ao governo estadual está hoje em fase de defesa de sua gestão como ministro da Fazenda, enquanto surgem apostas de nomes para ocupar o posto de vice, como a pecuarista Teresa Vendramini (PDT), conhecida como Teka. Outra mulher defendida por aliados de Haddad para ocupar a vaga é a ex-ministra Simone Tebet. Ela, no entanto, descarta a possibilidade com veemência.
Só recentemente começou a focar críticas a seu opositor por meio de vídeos nas redes sociais. Tema sensível para Tarcíso, Haddad explorou ligações da polícia paulista com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O assunto deve ser prioridade durante a campanha, uma vez que dá um discurso ao ex-ministro em uma área que governos do PT são constantemente criticados e que virou munição para o bolsonarismo: a segurança.
O primeiro episódio explorado por Haddad foi o do ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo José Augusto Coutinho, que pediu para deixar o cargo após ser citado em uma investigação da Corregedoria da corporação sobre a atuação de PMs como seguranças de supostos integrantes do PCC ligados à empresa de ônibus Transwolff. O caso foi revelado pelo Metrópoles.
No campo das alianças, os rumores giram em torno de conversas entre interlocutores do PT e o PSD de Gilberto Kassab, hoje comprometido em apoiar Tarcísio. O dirigente partidário, questionado, já afirmou que a chance de uma composição com o PT é “zero”, embora as relações de Kassab com o ex-governador estejam maculadas pelo fato de Tarcísio ter preterido Kassab como candidato a vice-governador.