Desafio de Jerônimo em reforma passa por administrar disputas entre Rui e Wagner, que quer a Saúde; saiba com quem
A reforma do secretariado estadual vai continuar pelas próximas semanas como um dos principais temas do noticiário político, dada a complexidade que com que o governador Jerônimo Rodrigues (PT) se defronta na tarefa de reformular espaços administrando interesses dos seus dois antecessores, o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, sem perder de vista a formatação de um governo que tenha DNA próprio.
Recentemente, durante um evento com prefeitos do PSB em Salvador, Rui e Wagner negaram ter influência na indicação de nomes a Jerônimo e até refutaram a tese de que há entre eles uma disputa, na contramão do que confidenciam os próprios petistas, aliados de ambos no governo e mesmo os partidos aliados que integram a coalizão governista. Enquanto isso, o governador examina com cuidado os desdobramentos que a nova montagem deve gerar.
“Hoje o governo é 40/40/20”, resumiu um auxiliar de Jerônimo, referindo-se, respectivamente, aos tamanhos de espaços de Wagner, Rui e do governador em atividade. Mas há quem diga que a equação não é exatamente esta, chegando a um patamar mais elevado para o senador, mais experiente do que os dois e também considerado o mais hábil politicamente entre os três.
Um dos duelos acontecem na Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), onde a saída de Leonardo Goes – indicado de Wagner para a presidência – já é dada como certa e Jerônimo pretende promover um novo nome à posição que contente a ele próprio, ao senador e ao ministro Rui Costa, além do aliado Ronaldo Carletto, do Avante, que cresceu de tamanho na Bahia e se relaciona muito bem com os três.
Além de manter os quatros que já possui, Rui é apontado hoje como fiador do retorno de Marcus Cavalcanti à gestão estadual. Hoje na Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República, ele é ventilado para comandar a Casa Civil no lugar do deputado licenciado Afonso Florence (PT). A operação esbarra no desejo pessoal de Jerônimo de colocar Roberta Santana, atual secretária de Saúde, como a nova titular da pasta.
O processo pode ser facilitado, no entanto, se Wagner emplacar o novo titular da Saúde no lugar de Roberta, que ficaria desimpedida para assumir uma função na qual Florence, apesar da experiência como deputado, não conseguiu se sair bem, trazendo, segundo se diz, mais problemas do que soluções para a nova gestão do amigo Jerônimo. Wagner tem como carta na manga o nome do advogado Thiago Campos, especializado na área de Saúde, para a pasta.
Cavalcanti poderia ainda regressar à Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), que pilotou por oito anos na era Rui (2014-2022). Conhecido pelo perfil executivo, será dele a missão de alavancar a realização de obras no segundo biênio da gestão mirando os louros político-eleitorais para a reeleição do governador. O titular da Seinfra, deputado federal licenciado Sérgio Brito (PSD), está de malas prontas aguardando indicação de uma vaga para um dos tribunais de Contas.
Quem também pode desembarcar na gestão é o atual presidente do PT na Bahia, Éden Valadares, outro nome ligado ao senador. Ele já foi lembrado para a Secretaria de Relações Institucionais (Serin), herdando a posição de outro petista, Luiz Caetano, que foi eleito prefeito de Camaçari. Hoje a titularidade está com Jonival Lucas, cujo plano do governo é transformar em subsecretário.
Da Casa Civil, Florence pode ser remanejado para o Planejamento (Seplan), que está nas mãos de Cláudio Peixoto desde a saída do ex-vice-governador João Leão (PP) em março de 2022. Outra troca deve acontecer na Secretaria de Agricultura (Seagri) para acolher uma reivindicação do Avante, que embora já detenha o controle da pasta com o suplente de deputado federal Wallison Torres, o Tum, quer apresentar um novo nome.
O nome lembrado pode ser um de um ex-aliado de ACM Neto (União Brasil), o ex-deputado estadual Pablo Barrozo, que se aproximou bastante de Ronaldo Carletto e parece ter alcançado a confiança para a tarefa. Jerônimo também precisará reservar assento para o Partido Progressistas (PP), caso o namoro para volta à base estadual vire casamento.
As duas pastas controladas pelo PCdoB também podem sofrer ajustes por causa de demandas internas. Davidson Magalhães deve passar o bastão da Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) para Augusto Vasconcelos, vereador reeleito em Salvador. Magalhães é cotado para um cargo no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que é chefiado pela presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos.
A legenda também prepara uma mudança na Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), comandada por Ângela Guimarães, em razão de conflitos internos e descontentamentos que já chegaram ao governador. Responsável pela indicação, a deputada estadual Olívia Santana pode sugerir um novo nome para a pasta.
Fonte: Política Livre