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do Trator À Colhedora, o Etanol Avança Como Alternativa Ao Diesel no Campo

Ribeirão Preto, interior paulista. Entre máquinas que chegam a 425 cavalos de potência e estandes do tamanho de galpões, a Agrishow 2026 concentrou, em cinco dias, a maior vitrine de tratores, colheitadeiras e implementos da América Latina. Mas o que também chamou a atenção nas conversas dos corredores da 31ª edição da feira não foi nenhuma das máquinas em exposição. Foi o combustível que vai movê-las.

Etanol em tratores, colhedoras de cana, pás-carregadeiras e pulverizadores. Não como conceito, não como promessa de engenharia. Com horas de teste acumuladas em campo, com motor desenvolvido no Brasil, com datas de lançamento apontadas no calendário.

O pano de fundo que explica a convergência das fabricantes em torno do mesmo tema é objetivo: o custo de importação da gasolina subiu 61%, segundo estimativa da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). O diesel importado responde por 30% do consumo nacional. Com a guerra no Oriente Médio pressionando os preços dos combustíveis fósseis, a equação econômica passou a trabalhar a favor do etanol dentro da porteira.

A fila no estande

Luis Felli, head global da Massey Ferguson e vice-presidente sênior da AGCO Corporation, fabricante de máquinas agrícolas presente em 140 países, tem uma medida informal, mas precisa, do interesse do setor sucroenergético pelo novo motor. “Se eu falar: venham fazer fila aqui no Agrishow para se inscrever para testar o trator a etanol, faz fila. Não só a usina como o fornecedor de cana”, disse ele, que participou da feira em Ribeirão Preto.

Para Felli, a transição energética no campo vai se intensificar menos por convicção ambiental e mais por segurança energética.

“O mundo não pode ficar refém do Estreito de Ormuz”, afirmou.

No plano econômico, a expansão do etanol de milho abre um segundo vetor: o DDG, coproduto do processamento, aumenta a oferta de proteína para confinamento de bovinos. “Quando entra uma planta de etanol, normalmente começa a aumentar os confinamentos de gado”, disse Felli. A equação, na avaliação dele, fortalece toda a cadeia proteica brasileira.

A Massey Ferguson apresentou na Agrishow o motor AGCO Power a etanol, desenvolvido integralmente pela engenharia brasileira ao longo de três anos, em parceria com usinas, produtores e concessionários.

O projeto acumula cerca de 10.000 horas de testes em culturas de cana-de-açúcar e grãos, entrega entre 200 cv e 300 cv, mantém a mesma curva de torque do diesel e apresenta potencial de redução de emissões de CO₂ em até 90%.

A chegada ao mercado está prevista para 2028, como evolução do trator MF 7700. Dentro do mesmo grupo AGCO, a Valtra chegou à feira com mais de 10 mil horas de testes acumuladas com motor a etanol em lavouras de cana e grãos.

Qualidade antes do calendário

Para Alfredo Miguel Neto, executivo sênior de Assuntos Corporativos, Comunicações e Cidadania da John Deere no Brasil, o trator com motor a etanol é o lançamento com maior potencial de impacto entre os mais de 20 produtos apresentados pela empresa na Agrishow deste ano. O argumento passa pela geopolítica. “Quem produz e usa esse trator passa a ter, na operação, um combustível que reduz emissões”, afirmou. “Isso traz benefício para quem produz e para quem opera, além de viabilizar linhas de financiamento específicas.”

O trator 8R a etanol ainda está em fase de testes no Brasil, voltado para milho, soja e outras culturas, sem foco no setor de cana. A empresa não antecipa o lançamento comercial antes de concluir o protocolo completo de validação. “A nossa preocupação é com a qualidade, não com o momento”, disse Miguel Neto.

A Case IH, marca da CNH Industrial, chegou à feira com os números mais concretos sobre etanol em operação. A colhedora Austoft 9000, movida a etanol com motor Ciclo Otto, a mesma tecnologia dos carros flex, acumula mais de 600 horas de operação e colheu 20 mil toneladas de cana em condições reais de campo.

O trator Puma 230, com mais de 800 horas de rodagem no ciclo da cana, avança para uma nova fase no segundo semestre: o plantio de milho, cultura que também produz etanol. A lógica do projeto é ter uma máquina movida a etanol trabalhando para gerar mais etanol.

A CNH foi além das máquinas agrícolas. A Case Construction apresentou na Agrishow a pá-carregadeira 721E a etanol, primeira máquina de construção movida por combustível alternativo mostrada na feira, configurada para operar com bagaço de cana dentro das usinas. A expectativa da CNH é ampliar o portfólio com colheitadeiras de grãos e pulverizadores movidos pelo mesmo combustível, todos com motor Ciclo Otto.

Do pulverizador ao pátio da usina

A paulista Jacto, com 78 anos de atuação no setor e presente em mais de 100 países, mantém em validação motores a etanol para pulverizadores em propriedades agrícolas. A John Deere também apresentou na Agrishow a nova plataforma CR para colheita de milho, desenvolvida para acompanhar o crescimento da cultura como insumo para a produção de etanol no Brasil.

O movimento das fabricantes na Agrishow 2026 não é isolado. O Brasil elevou a mistura de etanol na gasolina para 32% e discute a aceleração do mandato de biodiesel. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a adoção do novo percentual deve gerar demanda adicional de cerca de 1 bilhão de litros de etanol anidro por ano. Para o setor, máquinas que rodam a etanol ampliam a cadeia de valor do combustível e criam novas oportunidades de receita para o produtor, incluindo a geração de créditos de carbono.

Por isso, o que a Agrishow 2026 registrou vai além dos estandes e das horas de teste acumuladas. O Brasil reúne condições únicas para essa transição: maior produtor e consumidor mundial de etanol de cana, frota flex consolidada há décadas, infraestrutura de distribuição capilarizada e crescente produção de etanol de milho no Centro-Oeste.



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