Ex-prefeita de Ibititá fica inelegível por 8 anos e tem registro de candidatura cassado pela Justiça
Todos os votos em Nilvinha nas eleições de outubro serão invalidados
A Justiça Eleitoral da Bahia declarou a ex-prefeita de Ibititá, Nilva Barreto dos Santos, conhecida como Nilvinha, inelegível por oito anos e cassou seu registro de candidatura referente às eleições municipais de 2024. A decisão foi proferida nesta terça-feira (08) pelo juiz João Paulo da Silva Bezerra, da 104ª Zona Eleitoral de Lapão.
A Ação de Investigação Judicial Eleitoral foi proposta originalmente pela vereadora Cris Dourado, sob orientação do então candidato a prefeito Afonso Mendonça. Após vencer o pleito, Afonso orientou a retirada da denúncia, mas, diante da gravidade dos fatos, o Ministério Público Eleitoral (MPE) assumiu o caso e deu continuidade à ação.
Segundo a denúncia, Nilvinha, à época prefeita e candidata à reeleição, utilizou indevidamente a máquina pública para favorecer sua campanha. A acusação aponta a contratação em massa de eleitores por meio da empresa Suporte Terceirização e Soluções Ltda., elevando os gastos com pessoal em aproximadamente R$ 7 milhões entre abril e setembro de 2024.
Testemunhas relataram que as contratações estavam condicionadas ao apoio político à prefeita e que houve pressão, perseguições e demissões de funcionários que não apoiavam sua candidatura. Alguns ex-funcionários afirmaram ter recebido salários abaixo do mínimo e até sofrido exoneração durante o período de estabilidade gestacional, em claro desrespeito às leis trabalhistas e eleitorais.
Na sentença, o juiz reconheceu a prática de abuso de poder político e econômico, afirmando que a conduta comprometeu a lisura do pleito e desequilibrou a disputa eleitoral. Como resultado, foram cassados os registros de candidatura de Nilva Barreto e de seu vice, Raul Bastos Machado Neto e a inelegibilidade da ex-prefeita por 8 anos.
A decisão, apesar de fundamentada e robusta, foi considerada tardia por analistas da política local, que criticam o impacto direto no processo democrático. “Sem nenhuma dúvida, se a eleição fosse apenas entre os candidatos Afonso e Celson Marques, poderíamos ter um resultado absolutamente diferente”, afirmou uma liderança política da região.
Com a cassação, todos os votos atribuídos ao número 70, da ex-prefeita, serão anulados. Para muitos eleitores, fica a sensação de um verdadeiro estelionato eleitoral, já que Nilvinha concorreu mesmo diante de denúncias e provas contundentes de irregularidades.
Até o fechamento desta matéria, a ex-prefeita não havia se pronunciado sobre a decisão da Justiça.