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Fruit Attraction São Paulo Fecha Terceira Edição com até R$ 1,5 Bilhão em Negócios

A terceira edição da Fruit Attraction São Paulo terminou nesta quinta-feira (26), em São Paulo, com aumento de público, expansão da área e projeção de até R$ 1,5 bilhão em negócios. Ao longo de três dias, o evento reuniu mais de 16,3 mil visitantes e 400 marcas de mais de 60 países, consolidando-se como ponto de encontro da fruticultura no hemisfério Sul.

Para Maurício Macedo, CEO da Fiera Milano Brasil, o resultado reflete a consolidação de uma agenda que não existia no país até então. “A fruta sempre esteve dentro de outras feiras. Aqui ela é protagonista. Isso muda a qualidade do público e das conexões que acontecem”, afirma .

FA_DivulgMaurício Macedo, CEO da Fiera Milano Brasil

Segundo ele, o evento cresceu entre 25% e 30% ao ano desde a primeira edição. Em 2025, ocupou 15 mil metros quadrados, avanço de 66% sobre o ano anterior, e gerou mais de 1,5 mil reuniões de negócios.

A estratégia de trazer ao Brasil a marca da Fruit Attraction Madrid definiu o posicionamento do evento desde a origem. Diferente de outras feiras do setor, a operação brasileira já começou conectada a compradores globais.

“Foi uma feira que já nasceu internacional. A gente conseguiu reunir produtor local, exportador, importador e comprador estrangeiro no mesmo ambiente”, diz Macedo .

Essa configuração transformou o evento em uma espécie de contraponto ao calendário europeu. Enquanto Madrid concentra o hemisfério Norte em outubro, São Paulo passou a organizar o fluxo de negócios do Sul no primeiro semestre. Na prática, isso antecipou negociações e criou uma janela para inserção da fruta brasileira em mercados internacionais.

Negócios estruturados e efeito pós-feira

O volume projetado entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão considera os contratos fechados durante os três dias e as negociações iniciadas nas rodadas organizadas pela feira. A estrutura dessas rodadas parte de um mapeamento prévio da demanda internacional. “A gente identifica o que os compradores querem e conecta com quem tem o produto. Não é encontro aleatório”, afirma Macedo .

Segundo ele, o resultado financeiro se materializa nos meses seguintes. “Esse é um negócio que continua depois da feira. Mas, pelo volume de compradores e reuniões, a tendência é que os números se confirmem.”

A formação desse ambiente passa por articulação institucional. Programas com Abrafrutas, ApexBrasil, Sebrae e CNA levaram produtores para dentro da feira e estruturaram sua preparação para exportação.

Estados também participaram com áreas coletivas. O modelo permitiu a presença de pequenos produtores em negociações internacionais sem necessidade de deslocamento ao exterior.

“Tem produtor que nunca sairia do país e aqui consegue mostrar o produto para compradores de vários mercados”, diz Macedo .

Ao mesmo tempo, há um filtro técnico. Segundo ele, os produtores levados à feira já passam por processos de qualificação, com certificações, padronização de manejo e adequação às exigências sanitárias.

A edição deste ano também mostrou uma mudança no perfil da produção. A presença de tecnologia, rastreabilidade e certificações aumentou, inclusive entre pequenos produtores. “A gente percebe uma profissionalização maior. O produtor está mais preparado para atender o mercado internacional”, afirma Macedo .

Esse movimento responde a um gargalo estrutural. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de frutas, mas exporta cerca de 3% do volume total. Ao longo do evento, especialistas apontaram que o crescimento das exportações dependerá menos de volume e mais de diferenciação, com produtos processados, certificações e posicionamento de mercado .

Nova geografia do comércio de frutas

Projeções apresentadas durante a feira indicam mudança no eixo global de exportação. A América do Sul deve assumir a liderança nas exportações de frutas tropicais até 2034, com crescimento anual superior ao da América Central .

O mercado global deve atingir US$ 15,7 bilhões no período. Em 2025, o Brasil exportou US$ 1,45 bilhão em frutas, com destaque para manga, melão e cítricos. Ao mesmo tempo, o acordo entre Mercosul e União Europeia cria uma nova frente de acesso a mercado, com redução gradual de tarifas para produtos brasileiros .

Para Macedo, esse contexto amplia a relevância da feira. “A gente está num momento em que o Brasil tem espaço para crescer nas exportações. A feira ajuda a conectar essa oferta com a demanda internacional.”

A organização confirmou a continuidade da parceria entre IFEMA Madrid e Fiera Milano Brasil até 2033, garantindo a realização do evento no país pelos próximos anos . “O evento está se consolidando como o ponto de encontro da fruticultura no hemisfério Sul”, diz Macedo .



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