O Ibovespa ultrapassou os 199 mil pontos pela primeira vez na máxima do dia, em meio a um cenário externo favorável a ativos de risco, após sinais dos Estados Unidos e do Irã indicando espaço para a continuidade das negociações.
A queda do petróleo com as perspectivas de alívio no conflito, porém, reverberou nos papéis da Petrobras, adiando o rompimento da marca inédita dos 200 mil pontos.
O índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,33%, a 198.657,33 pontos, novo recorde de fechamento. No melhor momento, chegou a 199.354,81 pontos. Na mínima do dia, marcou 198.001,48 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$ 33,14 bilhões.
De acordo com o analista Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, o mercado está na expectativa de um desfecho favorável para a guerra entre os EUA e o Irã. “Investidores têm apostado que o Irã e os Estados Unidos vão chegar em um acordo de paz.”
Nesta terça-feira (14), a percepção de alívio no cenário geopolítico encontrou apoio em notícias de que autoridades norte-americanas e iranianas podem retornar a Islamabad, no Paquistão, no final desta semana para novas conversas.
O fluxo de estrangeiros continua como o principal suporte para as ações brasileiras, com abril registrando entrada líquida de R$ 14 bilhões até o dia 10, o que amplia o saldo positivo no ano para R$ 67,4 bilhões. Em todo o ano de 2025, o saldo ficou positivo em R$ 25,5 bilhões.
Destaques
- PETROBRAS PN caiu 3,82% e PETROBRAS ON fechou em baixa de 4,44%, em linha com o movimento do petróleo no exterior, que também enfraqueceu outras petrolíferas listadas na B3. PRIO ON cedeu 2,57%, BRAVA ENERGIA ON perdeu 0,47% e PETRORECONCAVO ON recuou 1,3%.
- ITAÚ UNIBANCO PN avançou 1,53%, com o setor favorecido pela melhora no apetite por risco no exterior. BRADESCO PN subiu 0,92%, BANCO DO BRASIL ON valorizou-se 2,55% e SANTANDER BRASIL UNIT fechou com elevação de 0,12%.
- VALE ON subiu 1,08%, em dia de variação modesta dos futuros de minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian encerrou com variação negativa de 0,07%. Dados da Administração Geral de Alfândega do China, porém, mostraram que as importações de minério de ferro pela segunda maior economia do mundo aumentaram 11,5% em março.
Petróleo
Petróleo
Os preços do petróleo caíram na expectativa de que o Irã retome as negociações com os Estados Unidos e Israel para encerrar o conflito que fechou o Estreito de Ormuz, uma das principais vias navegáveis do mundo para o transporte de petróleo e produtos refinados.
Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam a US$ 94,79 por barril, com queda de US$ 4,57, ou 4,6%. O petróleo West Texas Intermediate dos Estados Unidos fechou a US$ 91,20, com queda de US$ 7,80, ou 7,87%.
Ambos os contratos de referência subiram na sessão anterior, com o Brent subindo mais de 4% e o WTI quase 3%, depois que os militares dos EUA iniciaram um bloqueio dos portos iranianos.
“Parece haver essa esperança no mercado de que haverá um resultado melhor”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital. “Tudo isso significa que o mercado já havia precificado muitas das perturbações que já vimos.”
Os preços do Brent são mais suscetíveis a interrupções no fornecimento global do que os preços do WTI, que refletem o que é enviado internamente nos EUA e para as Américas Central e do Sul.
Embora a conversa sobre a retomada das negociações entre os EUA e o Irã tenha pressionado os preços para baixo, a queda ignora a perda de barris físicos de petróleo que não estão sendo movimentados, disse Tamas Varga, analista da PVM Oil Associates.
Os ataques à infraestrutura de energia no Oriente Médio e o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã levaram à maior interrupção do fornecimento de petróleo da história, informou a Agência Internacional de Energia (IEA) em seu relatório mensal, com perda de 10,1 milhões de barris por dia em março.
“A retomada dos fluxos pelo Estreito de Ormuz continua sendo a variável mais importante para aliviar a pressão sobre o fornecimento de energia, os preços e a economia global”, disse a IEA.
As forças armadas dos EUA disseram na segunda-feira que seu bloqueio do Estreito de Ormuz se estenderia para o leste até o Golfo de Omã e o Mar da Arábia. Dados de rastreamento de navios mostraram que dois navios deram meia-volta no estreito quando o bloqueio começou. No entanto, três navios-tanque ligados ao Irã entraram no Golfo Pérsico e tiveram permissão para passar porque seus destinos não eram portos iranianos, segundo dados de navegação.
O Irã ameaçou responder ao bloqueio atacando os portos das nações que fazem fronteira com o Golfo Pérsico.
Enquanto isso, as equipes de negociação dos EUA e do Irã podem retornar a Islamabad nesta semana, disseram cinco fontes à Reuters. Uma autoridade dos EUA também disse que havia um engajamento contínuo na tentativa de chegar a um acordo, enquanto o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse que os esforços ainda estavam em andamento.
Dólar
Após ceder durante a maior parte da sessão, o dólar fechou próximo da estabilidade ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana recuava ante quase todas as demais divisas, em meio à esperança de que EUA e Irã cheguem a um acordo para encerrar a guerra.
O dólar à vista fechou em queda de 0,09%, aos R$ 4,9935, o menor valor de fechamento desde 27 de março de 2024, quando atingiu R$ 4,9805.
No ano, a divisa passou a acumular baixa de 9,03%.
Na manhã desta terça-feira, as esperanças de um acordo entre EUA e Irã foram renovadas. Uma fonte envolvida nas negociações disse à Reuters que a data ainda não foi decidida, mas que os dois países poderiam retomar as conversas já no final desta semana.
“Nenhuma data firme foi definida, com as delegações mantendo a sexta-feira até o domingo em aberto”, disse uma fonte sênior iraniana.
Neste cenário, o petróleo voltou a ceder, para abaixo dos US$100 o barril, e os investidores mostravam apetite por ativos de maior risco, como ações, títulos e moedas de países emergentes, incluindo o Brasil.
Às 10h39 e às 11h00, o dólar à vista atingiu a cotação mínima intradia de R$ 4,9712 (-0,54%), em um momento em que o Ibovespa renovava sua máxima histórica, acima dos 199 mil pontos.
Até o fim da sessão, o dólar se reaproximou da estabilidade, mas ainda assim se manteve abaixo dos R$ 5,00, repetindo o feito da véspera.
No exterior, a moeda norte-americana seguia em queda em relação a pares do real no fim da tarde, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano. A divisa dos EUA também cedia em relação a outras moedas fortes.