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O escândalo do Banco Master não é de direita nem de esquerda

Diga-se em favor ou desfavor de Daniel Vorcaro que ele não privilegiou nenhum dos lados do espectro político nacional na hora de tentar consolidar seu banco ou de salvá-lo da extinção. Não distinguiu entre direita, centro e esquerda. Pagou muito caro para que todos o ajudassem. Mas fracassou e está preso.

O escândalo do Mensalão do PT, no primeiro governo Lula, ganhou esse nome porque a ideia de comprar votos para aprovar no Congresso projetos do governo nasceu dentro do PT, e por iniciativa dele foi em frente. O Supremo Tribunal Federal condenou 25 pessoas das 40 denunciadas.

Entre elas, figuras centrais do PT, como o ministro José Dirceu de Oliveira, o presidente do partido José Genoino e o tesoureiro Delúbio Soares, e líderes do Partido Progressista (PP), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e Partido Liberal (PL). Valdemar Costa Neto, hoje presidente do PL de Bolsonaro, foi preso.

O Petrolão, esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Operação Lava-Jato, é lembrado porque Lula foi condenado e preso. Mas o partido com maior número de envolvidos no esquema foi o MDB, seguido pelo PT, PP e PSDB. A Justiça anulou a maioria das condenações por considerá-las irregulares.

Vorcaro aposta que isso poderá acontecer também com o escândalo do Banco Master. Daí sua decisão de contar uma parte do que sabe à Polícia Federal em troca de uma condenação mais leve e de uma multa menor. Espera com isso não perder toda a fortuna que amealhou e que permanece escondida.

O que mais impressiona no caso do Master é a teia de pessoas de todos os naipes que prestaram serviços a Vorcaro: a mulher deAlexandre de Moraes, o ex-ministro Ricardo Lewandowski, o ex-presidente Temer, familiares do governador Ratinho Júnior, o senador Ciro Nogueira (PP), o ex-ministro Henrique Meirelles.

O Master, entre 2022 e 2025, pagou R$ 543 milhões a 91 escritórios de advocacia. Quinze desses escritórios receberam ao menos R$ 10 milhões. O da mulher de Moraes, em 22 meses, recebeu R$ 80 milhões. Com autoridades convidadas para eventos no exterior, Vorcaro gastou R$ 60 milhões.

O desafio da Polícia Federal é conseguir separar contratos e gastos lícitos dos ilícitos. E a compra de favores que não costuma deixar rastros. É por isso que uma fatia expressiva de deputados federais e senadores não quer nem ouvir falar em CPI para investigar o Master. Muitas cabeças rolariam e ainda poderão rolar.

 

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