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O Primeiro Carro da Coleção da Rolls-Royce Que Será Vendido Só a Convidados

A Rolls-Royce apresentou o Project Nightingale, primeiro carro da nova Coachbuild Collection, programa criado para um grupo restrito de clientes da marca. O ponto central do projeto não está apenas no automóvel, mas na forma de acesso a ele: o modelo será oferecido somente por convite, direcionado a compradores com “profunda afinidade” com o design da Rolls-Royce. Ao todo, serão 100 carros no mundo, com entregas a partir de 2028.

O Nightingale é um conversível de dois lugares e também o primeiro capítulo prático de uma estratégia que a marca já vinha desenhando para o universo do superluxo. A proposta da Coachbuild Collection combina um carro produzido artesanalmente com um programa de experiências de vários anos, no qual os clientes acompanham a formação criativa e técnica do automóvel por meio de encontros e eventos privados organizados pela Rolls-Royce.

Chris Brownridge, CEO da Rolls-Royce Motor Cars, resume esse posicionamento ao afirmar que a marca reuniu três elementos que, segundo ele, nunca coexistiram dentro da empresa: “a completa liberdade de design do coachbuilding, nosso motor elétrico potente e praticamente silencioso, e uma expressão aberta de condução que só essa tecnologia torna possível”. Na mesma declaração, ele acrescenta: “Project Nightingale compartilha o espírito desses projetos históricos e é a expressão mais extravagante do que a Rolls-Royce é capaz de fazer hoje”.

O projeto

O nome Project Nightingale deriva de Le Rossignol, nome da casa dos designers na propriedade de Henry Royce na Riviera Francesa. O carro foi concebido como um conceito de produção e entrará agora em um programa global de testes e validação a partir do verão no hemisfério norte. As especificações mais técnicas não foram reveladas pela marca.

A base conceitual do projeto está ligada à própria história da Rolls-Royce. O Nightingale busca inspiração nos modelos experimentais “EX” da década de 1920, especialmente os 16EX e 17EX, lançados em 1928. Esses carros usavam chassis Phantom, carrocerias leves em alumínio e foram criados para atingir novos patamares de velocidade para a marca. Do ponto de vista de design, a Rolls-Royce extraiu três princípios desses protótipos: a passagem de uma dianteira vertical para uma traseira fluida, a ideia de uma fuselagem central contínua e volumes que funcionam como “asas” puxando o olhar para a parte traseira.

O projeto também foi desenvolvido para clientes que a empresa define como ligados ao design e à experiência Rolls-Royce. Segundo a marca, esses compradores já participam de um programa multianual de encontros e momentos organizados pela fabricante, acompanhando de perto o desenvolvimento criativo e técnico do carro em alguns dos destinos escolhidos pela empresa.

O que o carro traz

O Nightingale é um carro aberto de dois lugares construído sobre a Architecture of Luxury, estrutura de alumínio usada pela Rolls-Royce. Mede 5,76 metros de comprimento, praticamente a mesma medida do sedã Phantom, mas em uma configuração integralmente dedicada a um conversível de dois lugares.

Como usa um motor totalmente elétrico, o carro dispensa as grandes entradas de refrigeração de um motor a combustão, o que permitiu à marca criar superfícies frontais mais limpas entre as extremidades dos para-lamas e a grade Pantheon. A grade, com quase um metro de largura, traz 24 lâminas e recebe no topo a figura do Spirit of Ecstasy em uma área discretamente rebaixada.

Na lateral, o perfil expõe a lógica do projeto: capô longo, para-brisa bastante inclinado, cabine compacta para duas pessoas e uma traseira que cai até uma extremidade baixa. Uma linha única percorre a carroceria da frente até atrás, em referência à separação entre casco e superestrutura de um iate. As rodas têm 24 polegadas, as maiores já instaladas em um Rolls-Royce, com desenho direcional inspirado em hélices vistas sob a linha d’água.

Na traseira, o carro usa lanternas finas, tampa do porta-malas com abertura lateral chamada de Piano Boot, uma luz de freio longitudinal central e um difusor traseiro em peça única de fibra de carbono chamado Aero Afterdeck, possível graças à ausência de escapamento no conjunto elétrico.

Interior e experiência a bordo

O interior foi desenhado para dois ocupantes e nasceu, segundo a Rolls-Royce, a partir da experiência de ouvir canto de pássaros com nitidez durante os testes iniciais do carro. Dessa observação surgiu a Starlight Breeze suite, conjunto de iluminação ambiente formado por 10.500 “estrelas” em três tamanhos, inspirado em ondas sonoras de rouxinóis.

A iluminação percorre as portas e envolve os ocupantes por meio de uma estrutura interna chamada Horseshoe, que sobe atrás dos bancos. O descanso de braço central, revestido em couro, se move automaticamente ao abrir a porta para revelar o controlador rotativo Spirit of Ecstasy. Há ainda compartimento oculto para objetos pessoais, porta-copos de alumínio usinados e uma prateleira atrás dos assentos para bagagem de mão.

Com a capota abaixada, a marca descreve o Nightingale como um exercício de viagem a céu aberto. Com a capota levantada, o carro passa a ter presença de cupê. No teto, a Rolls-Royce desenvolveu um material de isolamento acústico que combina cashmere, tecido e compostos de alta performance. O objetivo, segundo a empresa, é preservar uma experiência de condução silenciosa, sem eliminar sons externos considerados parte da experiência, como chuva sobre a lona.

No fim, o Project Nightingale coloca em prática a lógica da Coachbuild Collection: um automóvel produzido à mão, com desenvolvimento próprio, trem de força elétrico, programa de experiências e uma regra de acesso que antecede a compra. Antes de negociar o carro, a Rolls-Royce define quem pode ser convidado a participar dele.



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