Nova York, a cidade que nunca dorme, sempre está no radar dos viajantes. Mas mais ainda em 2026.
A temporada mais hot de visitantes já começa este mês, com a Brazil Week, que atrai líderes e autoridades para tratar de negócios, inovações e celebrar a parceria duradoura entre o Brasil e os Estados Unidos. A semana abrasileirada antecipa a onda de turistas que vai atingir a megalópole entre junho e agosto – em especial com a Copa do Mundo, já que a cidade será a sede da grande final da competição, em 19 de julho, no MetLife Stadium.
Segundo o comitê organizador, o torneio deve atrair mais de 1,2 milhão de torcedores, além de movimentar cerca de US$ 3,3 bilhões (R$ 16,4 bilhões) na região.
Com tamanha atenção voltada à Nova York, é preciso tomar cuidado com as chamadas tourist traps e escolher os locais que de fato valem seu tempo e investimento. Por isso, a Forbes organizou um guia definitivo com os principais endereços gastronômicos do nosso colunista especialista em mercado de luxo e radicado na Big Apple desde 2008, Rafael Azzi.
Confira a seguir o guia de restaurantes definitivo do Upper East Side, em Nova York
Café Commerce
Aberto em 2024 pelo chef Harold Moore, o endereço marca a reinterpretação do seu cultuado Commerce Inn do West Village, um dos restaurantes que definiram a cena no começo dos anos 2000 e marcou época na cidade.
Um clássico discreto que voltou ao radar de quem realmente acompanha a cidade. O Café Commerce mantém um charme nova-iorquino sem esforço, iluminação suave, mesas ocupadas por habitués e uma energia constante, sem frescuras. A cozinha francesa com abordagem contemporânea entrega consistência, com pratos bem executados e e nada de excessos. Funciona especialmente bem para jantares casuais e tranquilos.
A cozinha fica entre francês, italiano e americano e o famoso roast chicken segue como assinatura da casa.
Prato: Roast chicken com legumes sazonais.
Endereço: 964 Lexington Ave.
Chez Fifi
Instalado em um townhouse discreto na Lexington com a 74th (com a Lexigton), o Chez Fifi representa bem o novo momento do Upper East Side: mais jovem, mas bem sofisticado. Aberto no fim de 2024 virou um dos restaurantes mais disputados da area e continua super badalado.

Pequeno e preciso, o Chez Fifi rapidamente se estabeleceu como um dos point. Com atmosfera que remete a um bistrô parisiense autêntico, opera quase como um segredo compartilhado entre poucos. Ideal para business lunches ou jantares com amigos, com uma clientela fie. É o tipo de lugar ja virou um clássico
Na cozinha, o chef Zack Zeidman trabalha uma base francesa clássica com influências do norte da Espanha, criando um menu delicioso. Pratos como escargots, steak tartare e foie gras convivem com referências bascas e ingredientes mais contemporâneos, sempre com execução precisa.
Prato: Steak frites ou poulet rôti com jus de foie grais.
Endereço: 140 E 74th St.
Caviar Kaspia

O Caviar Kaspia vem com uma outra vibe para o Upper East Side, muito mais reservado. Com raízes europeias e espírito assumidamente parisiense, depois do jantar pode a noite sempre pode evoluir para uma noite mais animada no bar do hotel, que fica ao lado. O caviar, naturalmente, é a melhor pedida, mas é a atmosfera que define a experiência, especialmente em noites que começam formais e terminam em celebração. Os drinks são especiais e sempre começamos os jantares com um shot de vodka e para quem não bebe, os mocktails lá são ótimos também.
O espaço, desenhado por Jacques Grange, o mesmo arquiteto que desenhou o The Mark, ele recria o imaginário do original parisiense: banquettes em veludo, madeira escura, iluminação baixa e uma atmosfera que mistura elegância e intimidade.
Prato: Classic baked potato com caviar.
Endereço: 17 E 76th St.
Le Veau d’Or (Upper East Side)
Aberto nos anos 1930, o endereço atravessou décadas praticamente imune às mudanças da cidade e hoje, justamente por isso, volta a ganhar importância com uma nova geração que valoriza clássicos com qualidade. Old school no melhor sentido.

O Le Veau d’Or preserva uma Nova York cada vez mais rara, e talvez seja justamente isso que o torna tão bacana A cozinha francesa é clássica e direta, sem concessões, enquanto o ambiente mantém um charme quase intacto no tempo. Reservas são recomendadas, mas há sempre a possibilidade de um lugar no balcão para quem conhece o ritmo da casa.
O menu la é pré-fixo mas nada de vários pratos – é uma entrada, prato principal e sobremesa. Very French!
Prato: Foie gras clássico.
Endereço: 129 E 60th St.
Sant Ambroeus
O Sant Ambroeus não é apenas um restaurante, é uma instituição do bairro e que realmente traduz o o lifestyle milanês e traz para Nova York. Fundado originalmente em Milão em 1936, tornou-se ponto de encontro da comunidade italiana antes de se consolidar no Upper East Side como um dos endereços mais consistentes da cidade.
Hoje em dia, existem alguns Sant Ambroeus em NY, mas o da Madison Avenue funciona quase como uma extensão natural do bairro: elegante mas sem esforço, com uma clientela fiel que mais parece um clube. É um dos poucos lugares onde café da manhã, almoço e jantar coexistem com a mesma relevância, algo cada vez mais difícil em Nova York. Lá você vai sempre comer bem, ver e ser visto.

A cozinha segue uma linha clara, Milanesa clássica. executada com precisão e tradição. Durante as fashion e art weeks, é um dos restaurantes mais badalados da cidade.
Prato: Vitello tonnato ou cotoletta a milanesa
Endereço: 1000 Madison Ave.
Kappo Masa
A colaboração entre Masayoshi Takayama e Larry Gagosian define o tom desde o início. O Kappo Masa posiciona-se no cruzamento entre alta gastronomia japonesa e o circuito internacional de arte. Preciso, exclusivo e altamente consistente, atrai uma clientela que valoriza discrição e excelência, com um preço alinhado a essa proposta

Fica logo abaixo da galeria na Madison, e isso define bastante a energia da sala. Tem arte importantíssima nas paredes, mas sem parecer cenário. Funciona mais como um ponto de encontro natural de um certo circuito, gente de arte, moda, negócios, do que como um restaurante casual.
A diferença aqui, em relação a outros japoneses do mesmo nível, está no ritmo. Não é silencioso demais e sempre super badalado. Existe movimento. Dá para jantar sério, mas também dá para ir com mais leveza.
O omakase é muito sólido e preciso, mas o à la carte é o que faz o lugar funcionar de verdade no dia a dia.
Prato: Toro sushi.
Endereço: 976 Madison Ave.
Sushi Noz (Upper East Side)
Este restaurante é uma joia, possui duas estrelas Michelin e entre os omakases mais caros de Nova York, com uma clientela internacional, e muitos habitues.

O menu é exclusivamente omakase, estruturado em etapas precisas:
- 5-6 pratos iniciais
- 12-14 peças de nigiri
- Finalização com sopa de missô, tamago e sobremesa
Sem excessos e sem concessões, o Sushi Noz oferece uma das experiências de omakase mais rigorosas da cidade. O ambiente é minimalista e silencioso, permitindo foco total na técnica e na qualidade dos ingredientes. Mais do que um jantar, trata-se de uma experiência conduzida com precisão quase ritual.
O resultado é um ambiente silencioso, controlado e altamente focado. Não há música alta, nem distrações.
Prato: Omakase.
Endereço: 181 E 78th St.
Le Bilboquet
Poucos lugares mantêm energia e consistência ao longo dos anos como o Le Bilboquet. Aberto em 1986 como um pequeno bistrô de 35 lugares, algumas quadras acima do atual restaurante, rapidamente se tornou um dos endereços mais fiéis e consistentes da cidade, atravessando décadas praticamente sem perder relevância Sempre animado, mas nunca caótico, equilibra sofisticação e movimento com naturalidade.

A cozinha segue a linha de um bistrô francês clássico com apelo internacional, sem pretensão de alta gastronomia s por isso funciona tão bem. O Bilboquet segue sendo ponto de encontro para almoços e jantares que duram horas.
O grande símbolo do restaurante é o cajun chicken, um prato simples na estrutura, peito de frango com especiarias, servido com salada e batatas, mas que se tornou um dos mais icônicos de Nova York, junto com os delíciosos Martinis. Vale lembrar que durante o verão, o restaurante, assim como vários outros, abrem um ”pop-up” nos Hamptons, mas isso fica para a próxima coluna.
Prato: Cajun chicken.
Endereço: 20 E 60th St.
Café Sabarsky
Instalado dentro da Neue Galerie New York, o Café Sabarsky transporta seus frequentadores para Viena com precisão. Entre madeira escura, porcelanas e uma curadoria cuidadosa, é um dos ambientes mais bem resolvidos da cidade. Ideal para um café da tarde com strudel ou um almoço leve em um cenário que privilegia o tempo e a conversa. Ele foi pensado como uma recriação quase fiel dos cafés vienenses do início do século XX.

O menu é dedicado à tradição austríaca e vienense com uma leitura contemporânea. A comida é muito boa e os best sellers são wiener schnitzel (vitela empanada, extremamente fina e crocante), goulash com spätzle, mas meu predileto são as sobremesas. O apple strudel é o melhor da cidade.
Existe também um lado cultural relevante: o espaço frequentemente recebe apresentações de música e cabaré, reforçando essa conexão com a tradição de integrar gastronomia e vida artística. Vale a visita pós a visita ao Met, já que fica a poucas quadras do museu.
Prato: Apple strudel.
Endereço: 1048 5th Ave.