Seja Bem Vindo - 21/04/2026 08:40

  • Home
  • Política
  • Por Que Adicionar a Capital do Azerbaijão no Seu Próximo Roteiro de Viagem

Por Que Adicionar a Capital do Azerbaijão no Seu Próximo Roteiro de Viagem

O Azerbaijão, localizado na região do Cáucaso, na Eurásia, tem uma extensão territorial semelhante à do estado norte-americano da Carolina do Sul ou ao país da Irlanda. Trata-se de um ponto de convergência geográfica e cultural, com influências persas, túrquicas, árabes e russas. “Chamamos esse grande coquetel de Azerbaijão”, disse Narim Musabayova, guia local e intérprete. “Basta olhar o mapa. Muitos quiseram controlar esta cidade por ser uma junção entre a Ásia e a Europa.”

Parte da rodovia de oito faixas que liga o Aeroporto Internacional Heydar Aliyev à capital Baku passa por arranha-céus em estilo art nouveau à beira da estrada, lembrando a Sheikh Zayed Road, em Dubai, décadas atrás (quando era menos movimentada). Moradores locais evitam essa comparação, uma vez que a capital do Azerbaijão foi fundada há 16 séculos, enquanto a cidade mencionada nos Emirados Árabes Unidos tem menos de dois séculos de existência.

As principais vias de Baku são largas e bem cuidadas (embora frequentemente congestionadas), muitas com canteiros centrais arborizados. A vida noturna movimentada mantém o tráfego intenso até meia-noite, com táxis dos aplicativos Bolt e Yango circulando entre os ônibus verdes da cidade. O metrô de Baku, com três linhas e 27 estações, transporta mais de meio milhão de passageiros diariamente. O índice de criminalidade é geralmente baixo, e os habitantes se orgulham da tolerância e da abertura cultural. Em 1918, o Azerbaijão se tornou o primeiro país de maioria islâmica a conceder às mulheres o direito de votar.

Getty ImagesVista aérea das Torres Flame e do porto no Mar Cáspio, na cidade de Baku, Azerbaijão

Petróleo

Localizada na costa ocidental do Mar Cáspio, Baku alternou historicamente entre o controle russo e o persa. Tornou-se capital do Azerbaijão em 1920 e atualmente abriga cerca de 2,4 milhões de habitantes. Há séculos, a cidade baseia parte de sua economia na extração de petróleo e gás. Um registro de 1594 descreve um poço de petróleo com 35 metros de profundidade. Muito antes da invenção do motor a combustão interna, o viajante Marco Polo relatou que o petróleo do Azerbaijão era utilizado tanto como combustível quanto como pomada para coceiras. Também foi usado historicamente para impermeabilização e encanamento.

Winston Churchill, enquanto chefe do Almirantado britânico, substituiu o carvão pelo petróleo como combustível dos navios de guerra e afirmou que, se o petróleo fosse a rainha do mundo, Baku seria seu trono. Hitler declarou que perderia a Segunda Guerra Mundial se não garantisse os campos de petróleo da região. Alfred Nobel (ligado ao famoso prêmio) e seus irmãos fundaram a primeira companhia estrangeira de petróleo em Baku no final do século XIX e foram os primeiros a transportar petróleo em larga escala. Ludvig Nobel projetou o primeiro navio petroleiro de aço para transportar o petróleo bruto de Baku.

Recordes

O Azerbaijão tem diversos recordes reconhecidos pelo Guinness, como o menor livro do mundo (22 microns), o mastro de bandeira mais alto (70 metros), o maior número de vulcões de lama entre todos os países, o maior barril de vinho de madeira (com capacidade para 88 mil garrafas de suco), a plataforma de petróleo offshore mais antiga (de 1951) e a capital mais baixa do mundo (Baku está a 28 metros abaixo do nível do mar).

Nick St.OeggerCaminhando no centro de Baku, Azerbaijão

Contrastes

O Azerbaijão é um país de contrastes. Trata-se de um estado islâmico laico onde restaurantes servem bacon e cerveja, e onde formalidade e descontração convivem de forma próxima — como quando executivos de terno encerram uma reunião e, em seguida, riem e convidam para um longo jantar com cordeiro assado, vegetais locais e licores de frutas.

A tradição e a modernidade estão presentes em mercados cobertos como o Yaşil Bazar — aberto por 13 horas diárias, com produtos coloridos, incluindo especiarias como sumagre vermelho, bergamota e romãs. Trufas locais também estão disponíveis; não são muito intensas, tampouco caras, e eram chamadas de “cogumelos do diabo” por quem as associava a alimentos de bruxas.

Vista e arquitetura

Para uma boa vista do porto semicircular de Baku e da cidade antiga, vale caminhar até o Highland Park, o ponto mais elevado da cidade. O trajeto passa pelo “Alley of Martyrs” até o Memorial de Baku e o ponto panorâmico. A sede da Administração da Orla abriga a maior bandeira do mundo — com tamanho equivalente a seis quadras de basquete e peso aproximado de 500 quilos. As cores da bandeira representam as origens túrquicas (azul), o Islã (verde) e a independência/democracia (vermelho).

Deste ponto, é possível avistar construções como as Flame Towers, que se iluminam à noite, e o Museu do Tapete do Azerbaijão, construído no formato de um tapete enrolado (a tecelagem é parte central da cultura local; no funeral do Papa Francisco, em Roma, o tapete sob o caixão foi tecido por artesãos azerbaijanos).

Tom MullenDirigindo do aeroporto internacional para a cidade de Baku, capital do Azerbaijão

Do Highland Park até a Cidade Antiga de Baku — Icheri Sheher — são cerca de 30 minutos a pé. A área, menor que um décimo de milha quadrada (22 hectares), foi habitada antes do século VII a.C. Possui poucas árvores, museus organizados (como o Museu dos Livros em Miniatura) e a enigmática Torre da Donzela (Giz Galasi), construída com tijolos queimados há mais de mil anos. A menos de dez minutos dali estão a Praça das Fontes e o Museu Nacional de História. A cidade também abriga muitos gatos — bem cuidados e historicamente responsáveis pelo controle de roedores.

Nick St.OeggerCaminhando em direção à entrada da Cidade Velha de Baku, Azerbaijão

Culinária e vinho

A culinária do Azerbaijão é geralmente fresca e nutritiva. É possível experimentar dolmas — almôndegas de cordeiro com arroz e cebola envoltas em folhas de videira — ou um pilaf, prato tradicional em celebrações, frequentemente feito com arroz Khashmi, tâmaras, passas, endro, cebolas silvestres e feijão-branco. O arroz é servido separadamente, como guarnição. Algumas versões incluem o Ghormeh Sabzi, também comum no Irã, com carne vermelha e ervas como hortelã e estragão.

Há ainda o Fisinjan pilaf, cozido em pote de barro, com almôndegas de cordeiro, molho de cebola, nozes e melaço de romã. As sopas tradicionais podem incluir cordeiro, grão-de-bico, castanhas, azedinha selvagem, cebola, damasco, hortelã e açafrão, servidas com sumagre e cebola-roxa fresca (castanhas substituem as batatas na culinária tradicional local).

Tom MullenCena do mercado dentro de Yaşil Bazar em Baku, Azerbaijão

O empresário, proprietário de vinícola e autor de livros de culinária Ehtiram Farzalibayov lançou seu mais novo livro de receitas, com 550 páginas e 3,2 quilos. A obra reúne pratos tradicionais do oeste do país, como khashlama (carne vermelha cozida), a sopa de cebola bozbash e a sobremesa pakhlava (com cominho e assada, ao contrário da versão frita da Turquia).

No Room Wine Bar, o proprietário Mamed preparou uma sobremesa com sorvete de estragão, fatias de pera cozidas em vinho, figos secos, castanhas, amêndoas, cardamomo, açafrão, canela e Moscato — tradicionalmente servida com chá em copo pequeno.

Assim como o petróleo gera receita para Baku, o azeite também é fonte econômica, com destaque para os Jardins de Oliveira de Absheron, ao leste da cidade, com 900 hectares de oliveiras plantadas em 2019, responsáveis por 800 toneladas de azeite extravirgem por ano. O produto mantém os aromas naturais por ser extraído em baixa temperatura. As azeitonas são vendidas cruas ou recheadas com limão, páprica ou amêndoas.

Tom MullenCena vibrante de bares de vinho em Baku, Azerbaijão

Baku possui mais de meia dúzia de bares de vinho próximos à orla, incluindo o Kefli, que serve apenas vinhos nacionais. É comum haver cinzeiros nas mesas e frequentadores se levantarem espontaneamente para dançar. Além dos vinhos feitos com uvas locais como a branca Bayan Shira e a tinta Madrasa, há também vinho de romã.

A cidade pode ser acessada por meio do Aeroporto Internacional Heydar Aliyev, conhecido por sua arquitetura, que recebe voos diretos de 33 países, incluindo Londres, Paris, Milão, Istambul e Moscou. Cidadãos do Brasil precisam de visto para entrada, que pode ser solicitado online e entregue entre três horas e quatro dias úteis, conforme a taxa escolhida.



Clique aqui para ver a Fonte do Texto

VEJA MAIS

Feriado de Tiradentes: confira o que abre e fecha em Salvador e RMS

O feriado nacional de Tiradentes, celebrado na próxima terça-feira (21), vai alterar o funcionamento de…

Jovens são atacadas com bebida e lança-perfume durante festa em SP

Duas jovens ficaram feridas após serem atacadas por outras duas durante evento musical, no bairro…

Como Declarar Debêntures no Imposto de Renda 2026 sem Cair nos Erros Mais Comuns

As debêntures, títulos de dívida de renda fixa emitidos por empresas, vêm ganhando espaço na…