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Solinftec Lança IA Multiagente na Agrishow e Mira R$ 500 Milhões em 2026

Imagine uma fazenda de soja com 10 mil hectares e 50 máquinas operando ao mesmo tempo, janela de plantio se fechando, frente de chuva se aproximando e operadores tomando decisões sem informação suficiente. O problema, nesse cenário, não é a falta de tecnologia. É a incapacidade de transformar, em tempo real, um volume imenso de dados em uma decisão precisa.

A Solinftec chegou à Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), com uma resposta para esse gargalo: a plataforma Alice Multiagentes, arquitetura de inteligência artificial composta por agentes especializados que não aguarda ser consultada para agir. A apresentação ocorreu nesta terça-feira (28).

“O grande ouro desse negócio, o grande tesouro, são os dados que temos limpos e organizados há muito tempo. Essa é a grande barreira de entrada para qualquer concorrente”, afirmou Denis Arroyo Alves, vice-presidente da Solinftec, ao abrir a coletiva.

Com quase duas décadas de operação e dados estruturados de fazendas em 14 países, a empresa argumenta que nenhum competidor consegue replicar, no curto prazo, a qualidade do insumo que alimenta seus modelos de inteligência artificial.

A IA que age antes de ser perguntada

A Alice Multiagentes opera com agentes treinados de forma especializada em clima, manutenção de máquinas, logística, plantio e colheita. A orquestração entre eles é feita pela própria plataforma, que cruza histórico de dados, alguns com 20 anos de informações acumuladas, e dispara recomendações sem depender de uma solicitação do usuário.

Emerson Crepaldi, COO (Chief Operating Officer) da Solinftec, detalhou o funcionamento na prática. “Consigo ter um agente que olha o código de falha de uma máquina, independente da marca, verde, vermelha, amarela, rosa, e avisa o produtor antes que a operação pare. Outro prevê em quantas horas termina a colheita de cana e define qual é o movimento logístico necessário para fechar aquela janela. Olhando o clima, consigo dizer: muda o talhão, porque você tem mais umidade disponível e vai ter melhor eficiência de semente.”

O sistema se manifesta no celular, no computador de bordo, no relógio do produtor e via WhatsApp, canal pelo qual a Alice envia alertas sem nenhuma solicitação. A operação em ambiente controlado, dentro dos limites de cada fazenda ou usina, é apresentada pela empresa como forma de conter os erros de alucinação comuns em sistemas de IA generativa.

Solinftex_DivulgDenis Arroyo, VP da Solinftec

“A missão é previsibilidade e resultado prático na veia. Produzir mais, com uma margem melhor para o produtor”, disse Crepaldi. “Em um momento em que não há mão de obra suficiente no campo, não só para operar máquinas, mas para gerir essa quantidade de informação, isso precisa ser transformado.”

A empresa diferencia dois conceitos que, segundo os executivos, são frequentemente confundidos no mercado. A IA preditiva analisa e sugere ações. A IA física é o equipamento que coleta, contextualiza e age em tempo real no campo.

“De forma simples: se você consegue tocar nela, está diante de uma IA física. Ela consolida todo o conceito de inteligência, seja analítica ou preditiva, em um equipamento. Várias máquinas conseguem enxergar o que acontece no campo. Poucas conseguem atuar no momento ideal”, definiu Leonardo Carvalho, CGSO (Chief Growth and Strategy Officer) da Solinftec.

A meta da Solinftec para 2026 é ultrapassar R$ 500 milhões de faturamento. “Esse é o nosso alvo. Meio bilhão é um marco histórico para a companhia”, disse Arroyo. O número ancora uma trajetória que, em 2025, registrou crescimento de 15% na Receita Recorrente Anualizada (ARR), superando R$ 430 milhões, avanço de mais de 20% na receita total e EBITDA acima de R$ 100 milhões. O break-even foi atingido em 2023 e, desde então, a empresa mantém EBITDA positivo com expansão crescente.

Para o financiamento desse ciclo de crescimento, a Solinftec construiu uma estrutura de captação diversificada. Entre as séries A, B, C, D e uma rodada interna, somadas a cinco emissões de CRA, a empresa acumulou R$ 1,503 bilhão.

Solinftec Lança IA Multiagente na Agrishow e Mira R$ 500 Milhões em 2026
Solinftec_DivulgEmerson Crepaldi, COO da Solinftec

As emissões de CRA percorreram um ciclo crescente: aproximadamente R$ 80 milhões em 2019, R$ 137,2 milhões em 2021, R$ 100 milhões em 2023, R$ 150 milhões em novembro do mesmo ano e R$ 189 milhões em janeiro de 2026, totalizando R$ 656,2 milhões nessa modalidade.

Para Murilo Tonetta, CFO (Chief Financial Officer) da Solinftec, o modelo de negócio da empresa oferece proteção natural nos ciclos de baixa das commodities.

“Não preciso vender para todos os meus clientes todos os anos. Trabalhamos com multicultivo, o que permite diversificação entre setores. Em anos mais desafiadores, o que se observa nos clientes mais integrados é o oposto do esperado: eles ampliam o escopo do contrato, porque se desligar custa mais caro do que permanecer.” Tonetta aponta ainda que a quinta emissão de CRA, direcionada ao mercado de investidores qualificados e pessoas físicas, indica maturidade do modelo para acessar o mercado de capitais.

A geografia da inovação da Solinftec não é acidental. A empresa mantém escritório no Centro de Tecnologia de Shenzhen, na China, há sete anos, e a sede americana em West Lafayette, Indiana, coração do cinturão agrícola do meio-oeste dos Estados Unidos, onde opera em seis estados: Illinois, Indiana, Iowa, Kansas, Texas e Wisconsin.

Solinftec Lança IA Multiagente na Agrishow e Mira R$ 500 Milhões em 2026
Solinftec_DivulgFamília Solix de robôs no campo

Os dois endereços respondem a funções distintas e complementares. Shenzhen é o berço do hardware. “É o lugar do mundo onde você quer saber para onde as empresas estão indo em termos de dispositivos. A gente coloca a cabeça para fora do escritório e já sabe o que está rolando ali”, disse Henrique Nomura, CTO (Chief Technology Officer) da Solinftec.

Antes de desenvolver qualquer produto, a equipe analisa o custo da operação onde vai atuar. “Não podemos colocar um dispositivo desposicionado que vai encarecer o produtor. Shenzhen nos permitiu capturar computadores de bordo, telas e dispositivos climáticos a preços competitivos, sem abrir mão da qualidade.”

A presença em Shenzhen também antecipou a entrada da empresa na robótica. Câmeras especiais e processamento de visão computacional estavam sendo testados nos laboratórios da Solinftec anos antes de qualquer concorrente chegar ao mercado. “Desenvolvemos fornecedores na China e, quando começamos a usar, aquilo já estava ficando obsoleto lá, já tinha coisa nova chegando. Ou você pula nessa água, ou não participa desse negócio”, disse Arroyo. O design de todos os dispositivos é proprietário: os sensores são importados, mas os projetos são desenvolvidos internamente.

West Lafayette, por sua vez, é onde a Solinftec também desenvolve e valida o software, e que opera sobre esse hardware, além da grande estrutura que mantém em Araçatuba, sede e coração da empresa no Brasil. Com mais de 150 robôs rodando no meio-oeste americano e presença consolidada no maior mercado agrícola do mundo, a operação nos Estados Unidos funciona como laboratório vivo para as soluções que a empresa depois escala globalmente.

Quatro anos após lançar comercialmente o primeiro robô agrícola em escala, a Solinftec opera com cerca de 150 unidades nos Estados Unidos e 100 unidades no Brasil. Na Agrishow, a empresa apresentou dois novos modelos da família Solix. O XT, já em fase comercial, e o XC voltado para a cultura de grãos, tem lançamento comercial previsto para o segundo semestre de 2026.

O conceito que orienta a linha é chamado internamente de “independência por hectare”. “O produtor não pode se tornar refém de um dealer ou de um representante. A disrupção de verdade é devolver o controle para quem produz”, disse Carvalho. Os equipamentos foram projetados para que o próprio produtor realize a troca de peças, sem necessidade de suporte especializado externo. “A gente não precisa de mais máquina no campo. Precisa de inteligência no campo”, completou.

Bruno Pavão, CCO (Chief Commercial Officer) da Solinftec, coloca o debate em termos mais objetivos. “Essa conversa não é sobre tecnologia. É sobre resolver problemas através da tecnologia. A agricultura tem um múltiplo de problemas vindos de todos os lados e a inteligência artificial vem para expandir as capacidades humanas, seja com a IA física atuando no campo, seja sugerindo uma ação.”

Solinftec Lança IA Multiagente na Agrishow e Mira R$ 500 Milhões em 2026
Solinftec_DivulgHerique Nomura, CTO da Solinftec

A Solinftec monitora hoje 70 mil máquinas, 250 mil operadores e mais de 13 milhões de hectares físicos, número que ultrapassa 15 milhões quando a safrinha é contabilizada. A operação abrange 14 países: além do Brasil, Colômbia, Bolívia, Equador, Uruguai, Peru, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Argentina e Paraguai na América Latina, mais os seis estados norte-americanos e Shenzhen. A atuação global leva a Solinftec a feiras como Farm Progress, Commodity Classic e World Agri-Tech Innovation Summit, além de fóruns da FAO/ONU voltados à mecanização sustentável.

Com mais de 6.500 dispositivos climáticos conectados à plataforma, a Solinftec é a empresa com maior número de sensores desse tipo instalados no campo no Brasil. Esses equipamentos não funcionam na sede das fazendas, mas na borda dos talhões, onde poeira, temperatura e variação de vento afetam diretamente as decisões operacionais. “Eu sei o que está acontecendo no talhão de norte a sul do país, em todos os cultivos. Isso é o que nos permite construir um agente de clima com precisão real”, disse Nomura.

Cana, grãos, florestas e a estreia no México

A cana-de-açúcar é a principal cultura atendida pela empresa, com participação de mercado de 90%. A meta para 2026 é ultrapassar 96% e ampliar as soluções para plantio e tratos culturais, além da colheita mecanizada onde a Solinftec já está consolidada.

“A cana precisa produzir mais com custo menor. O mercado opera com margens mais justas em 2025, 2026 e será em 2027, e o nosso trabalho é desenvolver uma solução profunda para isso”, disse Crepaldi. Nos demais cultivos, a empresa detém 74% do mercado de citros, 25% em café e 20% em grãos e fibras.

Para grãos, soja, milho e algodão, o plano prevê expansão no Mato Grosso e no MATOPIBA (composto por 73 milhões de hectares de partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), com atenção especial ao Paraná e ao Rio Grande do Sul no segmento de pequenos e médios produtores. A entrada no mercado florestal é a principal aposta estratégica para 2026.

Assim, a Solinftec passa a atuar com soluções adaptadas do portfólio de cana e grãos, e para produtores de celulose com atenção especial a Mato Grosso do Sul. “Mato Grosso do Sul já é um grande polo de produção de celulose no mundo, e a Solinftec está lá junto”, afirmou Crepaldi. No segmento florestal, a participação atual é de 4%.

No plano internacional, a empresa anunciou durante a feira a assinatura do primeiro contrato com uma usina mexicana, ampliando a presença além do eixo Colômbia-Guatemala-Argentina onde já atuava.

No Brasil, não por acaso, com margens pressionadas em praticamente todos os cultivos, a Solinftec estruturou um modelo de negócio inédito no setor de software agrícola: a partir do crédito de PIS/Cofins, mecanismo amplamente utilizado na aquisição de máquinas e ativos físicos, as usinas passam a poder adquirir tecnologia de gestão sem desembolso imediato.

“Pela primeira vez conseguimos transformar um modelo conhecido para máquinas em um modelo para serviço. A usina usa o crédito tributário que ela já gera e adere à tecnologia sem abrir o caixa”, explicou Crepaldi. O modelo é um misto entre CAPEX e OPEX e deve ser expandido ao longo de 2026. A empresa também avança com barter e parcelamento pós-colheita para médios e pequenos produtores. “Como levar tecnologia para quem tem margem baixa, mas de uma maneira diferente. Essa é uma das nossas missões”, disse Crepaldi.

Além disso, a Solinftec lançou um serviço de avaliação de sustentabilidade que mapeia, produtor a produtor, quais certificações cada operação já atende, incluindo Bonsucro, RenovaBio e outros selos exigidos para exportação a mercados com requisitos ambientais mais rígidos, como na Califórnia, nos EUA, e países europeus. O objetivo é mostrar ao produtor onde sua operação já cumpre os requisitos e onde há lacunas que, uma vez preenchidas, podem gerar receita adicional pelo acesso a mercados premium de exportação. “A obrigação é ajudar o produtor a tirar o melhor resultado das ferramentas que ele já tem”, disse Arroyo.



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