O deputado Elmar Nascimento (União-BA), que chegou a ser sondado para integrar a chapa da sigla na Bahia, virou “bolsonarista” em busca do apoio do PL para sua candidatura ao Tribunal de Contas da União (TCU).
Como mostrou a coluna, Elmar negociou com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e com o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), a formalização de uma candidatura única para enfrentar Odair Cunha (PT-MG).

Elmar Nascimento
Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Elmar também se aproximou de ministros do governo Lula

Mas o líder do União Brasil chegou a fazer o “L” nas eleições
Reprodução/Redes sociais
Durante a votação, na noite desta terça-feira (14/2), a candidata do PL, deputada Soraya Santos (RJ), abriu mão da disputa em prol do nome de Elmar, que fez um discurso recheado de gestos para a bancada bolsonarista.
Elmar, por exemplo, defendeu a situação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se autoexilou nos Estados Unidos e busca apoio do governo americano para pressionar ministros do Supremo Tribunal Federal.
O deputado do União Brasil disse que Eduardo está fora do Brasil em uma “missão” e que, como membro da Mesa Diretora, votou contra a perda de mandato do parlamentar bolsonarista pelo número de faltas.
“Como membro da Mesa Diretora, foi-me dada a oportunidade, por exemplo, de votar a cassação do deputado Eduardo Bolsonaro. Eu votei contra, porque ele está cumprindo uma missão que o impede de estar aqui presente. Eu não achei que era justo cassar o mandato dele por falta”, disse.
Em sua fala, Elmar também se posicionou contra a cassação de Alexandre Ramagem. E disse que entrou em contato com a esposa do ex-parlamentar para manifestar solidariedade após sua detenção pela imigração americana.
“Ontem me incomodou muito, hoje mais ainda — falei com a esposa dele — uma foto do deputado delegado Ramagem depois que foi detido. Ele foi condenado a 16 anos de prisão. É um cara do bem, que contribuiu muito para tudo o que tem acontecido de bom aqui no nosso Parlamento. Hoje, ele está morando nos Estados Unidos e pode ser deportado. Eu me lembro da Rebeca, a esposa dele, com quem eu tinha um convívio familiar, e das filhas dele. Eu sei as dificuldades que ele está passando”, disse.
Críticas ao Judiciário
Elmar ainda aproveitou para fazer uma crítica a supostas interferências do Poder Judiciário no Congresso. O candidato ao TCU citou diretamente o caso da deputada Gorete Pereira (MDB-CE), que foi obrigada pela Justiça a usar tornozeleira eletrônica pelo envolvimento na Farra do INSS.
“Eu queria chamar a atenção das Sras. e Srs. Deputados, porque isso não é admissível. Até quando a gente vai se agachar? Uma colega nossa aqui, que já passou de 70 anos de idade, está andando de tornozeleira. Deputado não é passarinho para andar neste Plenário de tornozeleira. Até quando nós vamos aceitar esse tipo de procedimento contra membros do Congresso Nacional? Isso é interpretação da lei, porque quem pode mais pode menos. Quando algum deputado é preso, nós temos o direito de nos pronunciar sobre isso, podemos soltar o deputado. Qual é a necessidade de uma deputada, que é mãe, que é avó, andar neste plenário de tornozeleira, porque o Poder Judiciário acha que ela pode destruir prova ou pode fugir?”, completou.
A “mudança” de posição, entretanto, não foi suficiente. O candidato de Hugo Motta (Republicanos-PB) ao TCU, Odair Cunha, teve 303 votos e foi eleito como o próximo ministro da Corte de Contas. Elmar terminou a disputa com 96 votos.
Elmar faz o “L”?
Como mostrou o Metrópoles na coluna Milena Teixeira, Elmar foi sondado pelo PT no final de março para integrar a chapa da sigla na Bahia, em busca da reeleição do governador do Estado, Jerônimo Rodrigues.
O então ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o governador do estado apresentaram a Elmar algumas possibilidades, incluindo a indicação de um nome de seu grupo para compor a chapa como vice de Rodrigues.
Historicamente, Elmar sempre rivalizou com o PT da Bahia. Entretanto, como a coluna já mostrou, a relação do deputado do União Brasil com a sigla de Lula mudou após a chegada de Lula ao Planalto.
Inclusive, durante a eleição municipal de 2024, Elmar preteriu o próprio partido para apoiar candidatos petistas em algumas cidades baianas. Ele chegou a subir em palanque com o governador Jerônimo Rodrigues e até a fazer o “L”.