Seja Bem Vindo - 16/05/2026 11:18

  • Home
  • Notícias
  • Under 30 Conecta Investidores da Faria Lima a R$ 700 Milhões em Operações no Agro

Under 30 Conecta Investidores da Faria Lima a R$ 700 Milhões em Operações no Agro

O agronegócio deixou de ser tratado apenas como segmento de exportação e passou a integrar estratégias estruturadas de crédito, com base em dados, governança e diversificação de risco. Em um movimento crescente, o mercado financeiro passou a ter os olhos voltados para agro em novos modelos de negócio e gestão. E trouxe para a arena uma nova geração de talentos dedicados a entender e atender as demandas do campo.

Entre os nomes da nova lista Under 30 da Forbes Brasil, publicada anualmente (e que pode ser conferida no impresso e no digital), está um gestor cuja atuação é um retrato desse movimento que se concentra fora do eixo tradicional do mercado financeiro. Aos 29 anos, Lucas Moraes, coordenador de gestão da Brave Asset, responde pela estruturação de cerca de R$ 700 milhões em crédito direcionado à cadeia do agronegócio, dentro de uma casa que administra R$ 5 bilhões e reúne 10 mil investidores.

“O agro precisa de capital organizado e o mercado precisa compreender a dinâmica da atividade”, afirma Moraes. A aproximação entre investidores institucionais, plataformas e family offices e um setor que representa cerca de 23% do PIB brasileiro, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), ainda é recente, mas cresce de forma consistente. Por isso o mercado de capitais precisa de talentos que entendam o agro e os caminhos sua integração ao setor.

Moraes se formou em economia pela Esalq, no campus de Piracicaba, universidade que aparece entre as melhores do mundo em ciências agrárias. Ele iniciou a trajetória profissional em projetos de pesquisa vinculados ao agronegócio e passou pelo Cepea, centro responsável por indicadores utilizados como referência na formação de preços de commodities. A formação combinou análise macroeconômica e acompanhamento de cadeias produtivas, experiência que antecedeu sua entrada no mercado financeiro, em São Paulo, em 2017.

Quando ingressou na Brave Asset, em 2020, a gestora administrava cerca de R$ 50 milhões. Cinco anos depois, o patrimônio sob gestão alcança R$ 5 bilhões. “Participei dessa história desde comecinho. Aumentamos 100 vezes”, afirma Moraes. No período, o agronegócio passou a representar 20% da carteira, tornando-se uma das principais teses da casa.

A estratégia adotada não envolve participação direta em terras ou produção, mas a aquisição de recebíveis originados por indústrias e distribuidores de insumos agrícolas. No ciclo rural, é comum que vendas ocorram com prazos de até 180 dias, período que compreende plantio, desenvolvimento da lavoura e colheita. A antecipação desses créditos garante liquidez às empresas e estrutura retorno aos investidores.

Em vez de concentrar exposição em um único emissor corporativo, a gestora estrutura carteiras pulverizadas. Por exemplo, quando a análise é sobre uma indústria que comercializa insumos para dezenas de revendas, a equipe seleciona operações específicas, diluindo risco entre múltiplos produtores. Segundo Moraes, já foram avaliadas carteiras superiores a R$ 1 bilhão em recebíveis, das quais apenas parte é incorporada aos fundos.

“Não analisamos apenas uma empresa. Avaliamos a cadeia de clientes e selecionamos os créditos que se encaixam na política de risco”, afirma.

A modelagem ocorre via FIDCs, instrumento que permite estruturar fluxo de pagamentos atrelado ao calendário agrícola. O avanço desse tipo de operação acompanha a expansão do mercado de capitais no agro.

Nos últimos anos, CRAs, FIDCs e outras estruturas ampliaram a oferta de funding privado ao setor, reduzindo a dependência exclusiva de linhas subsidiadas. Em ambiente de juros elevados e maior seletividade bancária, o crédito estruturado ganhou relevância.

Para Moraes, o amadurecimento da relação entre a Faria Lima e o campo depende de ajustes dos dois lados. Investidores exigem governança, demonstrações financeiras organizadas e métricas de desempenho. Produtores e grupos familiares, por sua vez, precisam estruturar controles internos para acessar o capital privado. “Sem transparência e números consolidados, o investidor não aloca”, afirma.

Há também um ponto importante nesta relação, que é estar próximo de um agro disperso e diversificado em cadeias produtivas diversas, em pelo menos 30 setores que vão do antes da porteira, produção e pós-porteira, entre eles de commodities importantes como soja, milho e algodão.

Por isso, a análise das operações envolve critérios financeiros e também o acompanhamento regional. A equipe mantém diálogo com agrônomos e operadores locais para monitorar condições de safra, preços de commodities e capacidade de pagamento ao longo do ciclo. Segundo a empresa, a inadimplência histórica das carteiras ligadas ao agro é baixa.

Para Moraes, o que ocorre hoje é um processo em consolidação do setor de capitais nas cadeias produtivas e Brave é cada vez mais uma ponte entre investidores e economia real. “O mercado de capitais no agro ainda é recente e há espaço para crescer com disciplina e gestão profissional”, afirma.



Clique aqui para ver a Fonte do Texto

VEJA MAIS

Filme sobre Bolsonaro encalha em circuito alternativo de cinemas

O documentário A Colisão dos Destinos, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro desde a…

São Paulo Lidera a Transformação Digital do Brasil

Os investimentos em inteligência artificial tiveram um pico histórico em 2021, impulsionados pela digitalização acelerada…

Aos Fatos: MK Entrevista com Fernando Morais e Dino emendas destinadas a filme de Bolsonaro

O Aos Fatos desta sexta-feira (15) destaca a terceira edição do MK Entrevista, que…