A Usiminas deve registrar impactos de aumento de custos no segundo trimestre por causa dos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo, de fretes e matérias-primas, afirmaram executivos da siderúrgica nesta sexta-feira (24).
A companhia elevou em 1º de abril os preços de aços para distribuidores e alguns contratos industriais em torno de 5% e 6% e se posicionará de forma “mais exigente” nos próximos meses em relação a eventuais novos ajustes para proteger suas margens, comentou o vice-presidente comercial, Miguel Camejo, durante conferência com analistas após a publicação mais cedo de seus resultados do primeiro trimestre.
“Praticamente, todos os insumos terão impacto no próximo trimestre (segundo trimestre)”, disse o vice-presidente financeiro, Diego Garcia. “Placas (de terceiros) já estamos vendo…Estamos vendo maior preço de carvão e, além disso, impacto de fretes que afeta principalmente amineração”, acrescentou o executivo.
O lucro da Usiminas no primeiro trimestre subiu mais do que duas vezes e meia sobre um ano antes, apoiado em melhora operacional, mas também por ganhos com créditos tributários gerados pela valorização do real contra o dólar, segundo o balanço.
Analistas da Eleven Financial mantiveram recomendação “neutra” para as ações da Usiminas diante do preço atual do papel, mas escreveram em relatório que o resultado da empresa foi “positivo”, com melhora no segmento siderúrgico e avanço de fundamentos aliados às medidas de defesa comercial implementadas pelo governo federal.
As ações da companhia exibiam alta de 7,2% por volta de 12h55, na ponta positiva do Ibovespa, que recuava 0,46%.
Camejo disse que a Usiminas tem visto resiliência nos mercados consumidores de aço no Brasil, com o setor automotivo sendo o principal destaque no primeiro trimestre, enquanto o de máquinas agrícolas segue mostrando queda no consumo.
O executivo, porém, afirmou que o consumo aparente de aço no Brasil deve mostrar melhora no segundo semestre com a esperada redução no volume de importações, que cresceram 30% no primeiro trimestre sobre o anterior diante da antecipação das compras do exterior antes da adoção de medidas antidumping pelo governo.
“O nível de inventários deve se regularizar no segundo semestre”, disse Camejo se referindo aos estoques de aço nas cadeias consumidoras do país.
Com o aumento dos custos em razão da guerra, o executivo afirmou que a Usiminas pode aumentar a produção de aço em sua usina de Ipatinga (MG) e reduzir, no curto prazo, a laminação em Cubatão (SP), que é feita a partir de placas compradas de terceiros.
“Temos visto uma forte pressão do aumento de custo de placa a partir da guerra no Irã”, disse o executivo.
O presidente-executivo da Usiminas, Marcelo Chara, afirmou que “tem confiança” de que o governo deverá encerrar em julho a investigação para aplicação de tarifas antidumping sobre aços laminados a quente e que a empresa deve terminar no segundo trimestre as obras do sistema de injeção de carvão pulverizado em alto forno de Ipatinga. Isso deve também ajudar os custos da companhia ao gerar um menor consumo de matérias-primas a partir do terceiro trimestre, disse o executivo.