Nem a chuva fina, nem os 11º C de máxima nessa segunda-feira (13) em Genebra esfriaram a enorme expectativa na véspera do principal evento da alta relojoaria mundial. Começa na terça-feira (14), no Palexpo, a Watches and Wonders, base de lançamentos de 65 marcas (número recorde de expositores). Entre elas, Rolex, Patek Philippe, Vacheron Constantin, Cartier, Tudor, Van Cleef & Arpels, A. Lange & Söhne – e o retorno da Audemars Piguet, destaque entre as 11 estreantes.
Outros três números inéditos evidenciam a relevância da ocasião: 60 mil visitantes, 1.700 jornalistas internacionais e mais de 6 mil varejistas. De 14 a 20 de abril (aberto ao público de 18 a 20), nascem as tendências das novas coleções: as maisons mais desejadas do planeta divulgam suas novidades e fazem estremecer o segmento, arrancando suspiros de quem vê de perto e toca nas peças que vão disputar as manchetes no mundo todo.
Intensa programação cultural
O frisson não se resume ao centro de exposições gigantesco: Genebra vive uma semana especial, com programação cultural gratuita feita em colaboração com o Montreux Jazz Club – bandas tocando em palcos montados nas ruas. Lojas, instituições culturais e butiques de relógios usam todos os minutos possíveis para exposições, palestras, atividades e experiências imersivas.
Segue forte o interesse de gerações mais jovens pelo universo da relojoaria de luxo: ano passado, um quarto dos ingressos foram vendidos para menores de 25 anos. “Queremos continuar moldando o tempo e transmitindo a arte da relojoaria com significado e paixão para as futuras gerações”, disse Matthieu Humair, CEO da Watches and Wonders Geneva Foundation, antes da abertura. “Juntos, estamos construindo a relojoaria de amanhã.”
2025 em queda; fevereiro de 2026 em alta
Em 2025, as exportações de relógios suíços caíram pelo segundo ano consecutivo (-1,7% em relação a 2024), totalizando 25,6 bilhões de francos suíços. O número de relógios exportados caiu 4,8%, para 14,6 milhões de unidades – 740 mil a menos que no ano anterior. A política comercial dos Estados Unidos pesou fortemente sobre as exportações do setor para o seu maior mercado (17% das exportações). As informações são da Fédération de l’Industrie Horlogère Suisse (FH).
Embora os segmentos de preços mais elevados tenham continuado a apresentar uma procura estável, a maioria dos produtos registou uma retração. A queda em 2024 foi maior: 2,8%. O recorde de exportações aconteceu um ano antes, em 2023, quando as vendas somaram 26,7 bilhões de francos (crescimento de 7,2% ante 2022). A tendência de preferência por modelos bimetálicos (ouro e aço) se consolidou em 2025: alta de 45,1%.
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Keystone / Pierre Albouy / DivulgaçãoDe 14 a 20 de abril, nascem as tendências das novas coleções: as maisons mais desejadas do planeta divulgam suas novidades
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Keystone / Pierre Albouy / DivulgaçãoWatches and Wonders
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Keystone / Pierre Albouy / DivulgaçãoWatches and Wonders
Já em 2026, a indústria relojoeira suíça iniciou teve um primeiro bimestre “gangorra”: queda 3,6% em janeiro (1,92 bilhão de francos de exportações) e alta de 9,2% em fevereiro (2,2 bilhões de francos). O resultado de fevereiro marca o retorno ao crescimento, sinalizando uma possível estabilização para o setor entre março e abril. Sobre os mercados mais promissores, destaque para a França, impulsionado pelo turismo de luxo em Paris (+36,8% em janeiro, patamar mantido em fevereiro). A China (+5%) e Hong Kong (+2,6%) deram os primeiros sinais de recuperação – o mercado asiático fechou 2025 com fortes quedas: Japão (-5,8%), Hong Kong (-6,5%) e China (-12,1%).
Rolex na liderança (mais ainda)
A Rolex não só é líder do segmento como ampliou o seu domínio: o market share subiu de 32% em 2024 para 33% em 2025. A marca ultrapassou pela primeira vez o faturamento de 11 bilhões de francos (ante 10,6 do ano anterior; alta de 4%), mesmo tendo vendido menos peças: 1.150 milhão contra 1.176 (queda de 2%). Fechando as cinco primeiras do ranking: Cartier (9% de market share), Audemars Piguet e Patek Philippe, que passaram a Omega, em quinto.
A Rolex celebra alguns aniversários importantes em 2026, a começar pelo centenário da caixa Oyster, a primeira à prova d’agua do mundo (Mercedes Gleitze usou um Oyster para atravessar o Canal da Mancha em 1927). Dois septuagenários são passíveis de homenagens em 2026: o Day-Date (produzido apenas em ouro ou platina, conhecido como “Relógio dos Presidentes”, exibe o dia da semana por extenso em 26 idiomas) e o Milgauss (resistente a campos magnéticos, com o ponteiro de segundos em formato de raio laranja). Existe uma expectativa que a marca lance uma edição limitada – algo raro em se tratando de Rolex – ancorada no centenário do Oyster. Os próximos dias frenéticos aqui em Genebra dirão.

